O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegou nesta quarta-feira, sem provas, que uma votação na Virgínia para redesenhar o mapa do Estado para o Congresso de forma a favorecer os democratas havia sido "fraudada", enquanto um juiz decidiu bloquear a medida.
Na terça-feira, os eleitores da Virgínia aprovaram um referendo de redistritamento que poderia ajudar os democratas a conquistar até quatro cadeiras ocupadas por republicanos na Câmara dos Deputados dos EUA e aumentar as chances de os democratas ganharem o controle da Câmara em novembro.
Trump, um republicano, escreveu em uma postagem nas mídias sociais que "UMA ELEIÇÃO FRAUDADA FOI REALIZADA NA NOITE PASSADA NA GRANDE COMMONWEALTH DA VIRGÍNIA!" e culpou os votos pelo correio pelo resultado.
A postagem foi o exemplo mais recente de Trump lançando dúvidas sobre os resultados eleitorais que não lhe agradam, retratando a contagem normal de votos, especialmente a tabulação dos votos pelo correio, como evidência de fraude sem oferecer provas.
O referendo já enfrentou vários desafios legais. A Suprema Corte da Virgínia permitiu que o referendo fosse realizado, mas pode acabar invalidando-o, tornando os resultados sem efeito prático.
E, em um caso separado que também parece provável que acabe na Suprema Corte, um juiz de condado da Virgínia, em resposta a uma ação judicial movida pelo Comitê Nacional Republicano, bloqueou o novo mapa nesta quarta-feira, decidindo que os parlamentares não haviam seguido as regras para a emenda constitucional que o redesenho do mapa exigia.
O procurador-geral da Virgínia, Jay Jones, um democrata, disse que pediria ao Tribunal de Apelações do Estado que anulasse a ordem do juiz Jack Hurley Jr., que classificou a linguagem da cédula como "flagrantemente enganosa" e impediu o Estado de certificar os resultados do referendo de terça-feira.
O referendo na Virgínia é a mais recente reviravolta na corrida de redistritamento do país, iniciada por Trump e pelos republicanos do Texas no ano passado, conforme buscavam defender a pequena maioria do partido na Câmara dos Deputados durante as eleições de meio de mandato em novembro.
Trump, que não aceitou a derrota na eleição presidencial de 2020, apesar de ter fracassado em dezenas de processos judiciais para contestar os resultados, tem procurado constantemente minar a fé no processo de votação.
Após sua derrota em 2020 para Joe Biden, Trump alegou falsamente fraude generalizada e apoiou esforços para anular o resultado, inclusive pressionando seu então vice-presidente, Mike Pence, a não certificar os resultados da eleição.
Desde então, os tribunais, as autoridades eleitorais estaduais e seu próprio governo não encontraram nenhuma evidência de fraude em uma escala que pudesse ter alterado o resultado.
Nos últimos meses, o governo Trump intensificou seus esforços para reavivar as alegações de fraude eleitoral generalizada na eleição de 2020. O Departamento de Justiça está buscando uma vasta gama de dados de eleitores estaduais, enquanto o FBI reabriu antigas alegações de fraude eleitoral em Estados cruciais, incluindo a Geórgia.