Michel Paul, Siavosh Ghazi e Paul Khalifeh, correspondentes da RFI em Jerusalém, Teerã e Beirute, com agências
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghachi, confirmou no domingo (22) que Teerã está trabalhando em uma nova proposta a ser apresentada em 26 de fevereiro ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff. Enquanto isso, os países do Oriente Médio temem uma escalada e acompanham atentamente cada declaração vinda de Washington.
Embora Araghachi tenha declarado que algumas das exigências dos Estados Unidos serão atendidas, a resolução de certos pontos de atrito continua difícil. Teerã agora afirma estar disposto a limitar o nível de enriquecimento de urânio como garantia da natureza pacífica de seu programa nuclear, que atualmente é considerado legítimo pelas autoridades iranianas.
No entanto, Steve Witkoff insistiu que o presidente Trump exige que o Irã abandone totalmente seu programa de enriquecimento de urânio. O estoque de metal pesado enriquecido, que totaliza 10 toneladas de material - incluindo 400 kg enriquecidos a 60% - teria de ser enviado ao exterior.
Resta saber se, na quinta‑feira, americanos e iranianos conseguirão chegar a um consenso, possivelmente contrariando os interesses do governo de Tel Aviv. Israel está decepcionado com a estratégia dos EUA e com o fato de Washington não ter exigido garantias quanto ao programa iraniano de mísseis balísticos. Para as autoridades israelenses, Teerã está ganhando tempo, e cada dia de negociações em Genebra representa um prazo adicional para o Irã reforçar suas instalações nucleares.
Tensões crescentes nas capitais
As tensões também aumentaram na capital iraniana. Um número crescente de habitantes acredita que um ataque americano é inevitável, embora não haja sinais de pânico ou corrida a mercados para compra de suprimentos.
Segundo diversas fontes, Donald Trump tende agora a considerar um ataque "limitado" nos próximos dias, com o objetivo de forçar Teerã à rendição - chegando até mesmo a ameaçar derrubar o regime. Essa opção, desejada por alguns iranianos após os massacres sofridos pelo país, poderia mergulhar a nação no caos, com graves consequências econômicas.
Além disso, o chefe do Exército declarou que as forças armadas estão em alerta máximo. O ministro iraniano das Relações Exteriores afirmou que seu país responderá a qualquer ataque militar bombardeando bases americanas ou forças navais presentes na região.
No Líbano, o clima também é de apreensão, diante do risco de que o país seja arrastado para uma eventual guerra entre Irã e Estados Unidos. Naim Qassem, líder do Hezbollah e aliado de Teerã, advertiu que seu grupo não permanecerá neutro em caso de conflito.
Alerta máximo para os americanos no Líbano
Há vários dias, tropas americanas estacionadas no Líbano, com base em acordos de cooperação com o Exército local, estão em alerta máximo. Fontes de segurança informam que unidades posicionadas em uma base aérea a 50 km ao norte de Beirute e no complexo da embaixada americana, a 15 km da capital, ativaram um protocolo de segurança especial.
As medidas adotadas pelos militares americanos já não correspondem aos termos dos acordos firmados com as autoridades libanesas. Como resultado, tropas americanas e libanesas entraram em confronto na segunda-feira (16), nos arredores da base aérea de Hamath.
O aumento dos ataques israelenses também é visto como um indício de um possível conflito iminente entre Irã e Estados Unidos. Na semana passada, cerca de doze membros do Hezbollah, incluindo um comandante de alto escalão, foram mortos em ataques israelenses no sul do Líbano e no Vale do Bekaa.
Israel vê o momento como uma oportunidade para enfraquecer o eixo iraniano. Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prepara seus ministros para todos os cenários, o país teme ter de enfrentar um confronto direto sozinho caso o ultimato americano - que expira no início de março - seja novamente prorrogado. Segundo a imprensa israelense, a fase das palavras chegou ao fim; Israel agora espera ação.