Christian Morando confessou ter assassinado e esquartejado Fabio Colapietro em Turim, na Itália, após uma briga por suposto roubo durante o consumo de drogas e álcool. O corpo foi achado em sacos e baldes com cimento no apartamento da professora Nicole Formichetti, detida junto com Keith Butig por cumplicidade. A ex-namorada de Morando revelou à polícia que ele ligou em choque buscando cimento após o crime. O trio tentou reanimar a vítima antes de ocultar o cadáver e segue preso preventivamente.
A ex-namorada de Christian Matheus de Oliveira Morando, acusado de ter matado e esquartejado o corpo de Fabio Colapietro em Turim, norte da Itália, na última semana, declarou aos investigadores ter recebido uma chamada em vídeo do suspeito após o crime.
"Matheus me ligou pelo WhatsApp e o vi em um estado de grande confusão. Era difícil entender o que ele dizia", contou a mulher, que não teve o nome divulgado.
"Ele falava comigo sobre cimento; especificamente, que precisava comprar [cimento]. Então, em um piscar de olhos, me mostrou luvas e fita adesiva", acrescentou a ex-namorada sobre a ligação recebida na quarta-feira (23).
Em seu depoimento, a ex de Morando também revelou que ele estava em uma casa desconhecida para ela.
Na mesma data, Morando pediu à ex-namorada e à mãe para se encontrarem com ele perto de um supermercado, já que "queria falar com ambas". No entanto, o rapaz de 26 anos mostrava-se "muito vago" no que tentava lhes contar.
"Percebi que algo ruim havia acontecido, mas, ao mesmo tempo, não queria saber. Continuei interrompendo-o enquanto ele falava, dizendo-lhe para tratar do assunto com as autoridades competentes, pois eu não queria me envolver na confusão dele", afirmou a ex, revelando que "Matheus chorava e estava desesperado, em estado de choque profundo".
No dia seguinte, 24 de setembro, o suspeito fez uma nova videochamada para a mulher.
"Ele me ligou por vídeo por volta das 18h; vi que estava em uma loja e que comprava cimento. Disse que era para ajudar um amigo, mas logo em seguida falou: 'Não me faça pensar, senão vou sentir vontade de vomitar'", declarou a testemunha, segundo a qual, naquele momento, Morando "ficou visivelmente abalado de novo e encerrou a ligação, dizendo que precisava pagar".
Ainda de acordo com o depoimento, o acusado teria lhe mandado um áudio na terça-feira (22), dizendo que "era tarde demais, pois o dano já estava feito". Ele "estava muito agitado" e "esperava que a situação pudesse ser resolvida". Morando afirmou que "pretendia avisar a polícia, mas que precisava primeiro estabilizar sua própria situação, já que também corria perigo".
No sábado (26), Morando, italiano natural de Chivasso, no Piemonte, que, segundo a imprensa local, tem ascendência brasileira, confessou às autoridades de Turim ter assassinado o também piemontês Colapietro, de 39 anos, cujo corpo foi encontrado dentro de sacos pretos e em baldes com cimento de secagem rápida, na madrugada de quinta (24) para sexta-feira (25) em um apartamento.
O imóvel pertence à professora italiana Nicole Formichetti, de 47 anos, que assim como Morando, foi detida por suposta cumplicidade e auxílio na ocultação de cadáver. Além dela, a ítalo-filipina Keith Butig, de 22 anos, também foi presa sob a mesma acusação.
De acordo com as investigações, os três envolvidos se reuniram no apartamento de Formichetti em 20 de setembro para consumir drogas e álcool. Periodicamente, o trio chamava Colapietro para lhes fornecer mais substâncias entorpecentes.
No entanto, na madrugada entre 21 e 22 de setembro, Morando se desentendeu com o entregador, acreditando que ele havia lhe roubado 50 euros e um bracelete de ouro enquanto dormia.
Em meio às agressões físicas, Morando estrangulou Colapietro, ao mesmo tempo que Formichetti e Butig davam socos e chutes na vítima.
Os três teriam ainda tentado reanimar o entregador com massagens cardíacas por duas horas, mas ao constatarem o óbito, Formichetti teria pesquisado na internet como se livrar do corpo.
Em depoimento, Butig afirmou que estava em uma outra sala do apartamento no momento em que as agressões ocorreram e que não tinha se dado conta de nada. Ela também teria sido obrigada a comprar sacos de lixo após ser ameaçada por Morando e Formichetti.
Já a professora permaneceu em silêncio perante às autoridades.
Morando, Formichetti e Butig seguem em prisão preventiva.
Segundo a mãe de Morando, que não teve o nome divulgado, foi o próprio filho, após ser aconselhado por ela, a chamar o serviço de emergência no dia 24.
"Ele chorava muito ao telefone e como não se entendia o que ele dizia, eu peguei o telefone e pedi para que viessem [o serviço de emergência], pois meu filho havia feito mal a alguém", contou a mãe do suspeito.