Um voo da FlyDubai rumo a Tel Aviv com 174 pessoas sofreu uma tentativa de ataque após o copiloto esfaquear o comandante e tentar derrubar a aeronave, que chegou a despencar 5 mil metros. O agressor acabou contido por passageiros e por um piloto de folga. O avião pousou em segurança na Arábia Saudita. Autoridades de Israel classificaram o caso como tentativa de atentado jihadista com intenção de causar um novo "11 de setembro". A FlyDubai suspendeu voos para Israel e o caso é investigado.
Um voo da FlyDubai que partiu dos Emirados Árabes Unidos com destino a Tel Aviv enfrentou momentos de terror nesta quarta-feira (30), depois que o copiloto esfaqueou o comandante e tentou derrubar a aeronave, evocando em Israel o temor de um novo "11 de setembro".
A tragédia só foi evitada graças à intervenção de um piloto de folga e de quatro passageiros que dominaram e amarraram o agressor. O avião, com 174 pessoas a bordo ? incluindo 27 crianças ?, sendo a maioria israelenses, pousou em segurança no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita.
Segundo as primeiras reconstruções do caso, o copiloto, natural de Omã, mas provavelmente com dupla cidadania, teria agido sozinho. Fontes do Canal 12 afirmam que Israel não tem, até o momento, indicação de que ele tenha sido dirigido pelo Irã ou por outra organização, porém um colega o descreveu como um "fervoroso religioso" que "rezava de forma excessiva durante todo o dia e se recusava a apertar a mão de mulheres". Segundo esse funcionário, o omani estava na companhia havia oito meses.
O comandante Smit Machchhar, de nacionalidade indiana, ficou coberto de sangue, e o copiloto tentava destruir os instrumentos de bordo quando foi contido. A luta durou cerca de 20 minutos e fez a aeronave despencar mais de 5 mil metros em cerca de 30 segundos.
"Pareceu uma eternidade. O avião estava caindo e rodando, estávamos perto de cair. Eu pensei: acabou, tudo acabou. O 11 de setembro está acontecendo de novo", contou Daniel, um dos passageiros a bordo, ao Canal 12. A lembrança dos atentados terroristas contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono, em Washington, também foi evocada pelo embaixador israelense na Itália, Jonathan Peled.
"O que aconteceu hoje a bordo do voo da FlyDubai poderia ter se transformado em um 11 de setembro para Israel. Felizmente, graças à coragem de outro piloto e dos passageiros que intervieram, uma tragédia foi evitada, e o avião pousou em segurança na Arábia Saudita", declarou o diplomata no X.
O voo FZ1071 havia decolado dos Emirados às 6h05. Às 8h31, enquanto sobrevoava a Península Arábica, foi emitido o código de emergência geral. Sete minutos depois, o avião transmitiu o código 7500, que indica possível sequestro.
Dois caças da Força Aérea israelense já haviam decolado, e os comandantes militares estavam reunidos, porém a aeronave retornou e pousou em Tabuk.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, classificou o episódio como "tentativa de ataque jihadista, frustrada apenas graças ao heroísmo de alguns passageiros israelenses e de um piloto de reserva". "Segundo as primeiras informações, a intenção do terrorista era derrubar o avião com todos os passageiros", afirmou.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prestou "homenagem aos heróis a bordo" e informou ter dado "instruções ao aparato de segurança para se preparar para enfrentar eventuais ameaças adicionais". Na véspera, o premiê já havia declarado que Israel possuía "indicações sobre possíveis ataques em vista das próximas eleições", marcadas para 27 de outubro.
Já a FlyDubai pediu cautela e alertou contra conclusões precipitadas sobre o motivo enquanto a investigação ? conduzida por israelenses, emiradenses e sauditas ? estiver em curso. A companhia decidiu suspender por seis dias seus voos para Israel, após conversa telefônica entre Netanyahu e o presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed.
À noite, os passageiros retornaram a Israel em um voo de socorro da FlyDubai e foram recebidos no aeroporto de Tel Aviv pelo premiê israelense.