Um estudo revelou que o submarino nuclear soviético K-278 Komsomolets, afundado desde 1989 no Mar da Noruega, continua liberando material radioativo no oceano. A embarcação, localizada a cerca de 1.680 metros de profundidade, ainda possui um reator nuclear danificado e duas armas nucleares em seu interior, segundo os pesquisadores responsáveis pela análise.
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De acordo com o trabalho publicado na revista científica PNAS e liderado pelo cientista Justin P. Gwynn, os vazamentos foram identificados na região do reator e incluem radionuclídeos como estrôncio-90 e césio-137, encontrados em concentrações até 800 mil vezes superiores aos níveis normalmente registrados no Mar da Noruega.
O K-278 Komsomolets foi um submarino nuclear desenvolvido pela antiga União Soviética durante a Guerra Fria. Construído com casco duplo de titânio, o modelo foi projetado para operar em profundidades extremas para a época. Em 1989, um incêndio a bordo saiu de controle e provocou o naufrágio da embarcação. Dos 69 tripulantes, apenas 27 sobreviveram.
Segundo o jornal espanhol El Confidencial, expedições soviéticas e russas passaram décadas monitorando o submarino e tentando conter possíveis vazamentos radioativos. Em 1994, autoridades russas instalaram tampas de titânio nos tubos de torpedo após suspeitas de contato entre a água do mar e as ogivas nucleares armazenadas no compartimento frontal.
Atualmente, o monitoramento do local é conduzido pela Autoridade de Segurança Radiológica e Nuclear da Noruega e pelo Instituto de Pesquisa Marinha do país. Em uma expedição realizada em 2019 com veículos submarinos operados remotamente, pesquisadores identificaram uma fuga ativa em uma tubulação de ventilação próxima ao reator. As imagens chegaram a registrar material sendo expelido da estrutura.
Os cientistas analisaram amostras de água, sedimentos e organismos marinhos próximos ao submarino. O estudo afirma que não foram encontrados indícios de plutônio proveniente das armas nucleares armazenadas na área dos torpedos, o que indica que os reparos realizados pela Rússia nos anos 1990 continuam funcionando adequadamente.
Apesar da ausência de sinais imediatos de contaminação ambiental ampla, os autores defendem novas missões ao local para entender por que os vazamentos variam ao longo do tempo e quais poderão ser os impactos futuros.