Rússia lança ataque massivo contra a Ucrânia; Kiev registra pelo menos 13 mortos e mais de 50 feridos

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia afirmado que Moscou preparava "um novo ataque massivo" contra a Ucrânia

2 jun 2026 - 05h42
(atualizado às 08h02)
Explsoão noturna em Kiev durante ataque de mísseis e drones russos contra a Ucrânia, nesta terça-feira, 2 de junho de 2026.
Explsoão noturna em Kiev durante ataque de mísseis e drones russos contra a Ucrânia, nesta terça-feira, 2 de junho de 2026.
Foto: © Gleb Garanich / Reuters / RFI

Um grande ataque russo contra a Ucrânia na manhã desta terça-feira, 2, deixou ao menos 13 mortos, incluindo quatro na capital, Kiev, atingida por mísseis balísticos, informaram as autoridades ucranianas. No total, Moscou lançou 656 drones e 73 mísseis durante a noite, segundo a Força Aérea ucraniana.

"As mortes de quatro pessoas em Kiev foram confirmadas", declarou o chefe da administração militar da capital, Tymour Tkatchenko, pouco depois de informar que havia 51 feridos, entre eles três crianças, nos ataques russos que atingiram vários bairros da região metropolitana nesta terça-feira.

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"O inimigo está atacando com mísseis balísticos", Tkatchenko havia alertado anteriormente no Telegram. Após as explosões dos mísseis, moradores correram para os abrigos carregando bolsas e cobertores pelas ruas de Kiev, onde uma grande coluna de fumaça foi vista, segundo jornalistas da AFP.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia afirmado na sexta-feira, 29 de maio, que Moscou preparava "um novo ataque massivo" contra a Ucrânia, enquanto a Rússia havia aconselhado diplomatas estrangeiros a deixarem Kiev.

No leste do país, em Dnipro, as autoridades informaram a morte de nove pessoas e 25 feridos. "O número de vítimas do ataque russo contra Dnipro continua aumentando", destacou o chefe da administração militar regional, Oleksandr Ganja.

Dez pessoas também ficaram feridas em Kharkiv, igualmente no leste da Ucrânia, incluindo uma criança, informou pelo Telegram o prefeito Igor Terekhov. Segundo ele, a cidade foi "atacada por quinze drones e dois mísseis".

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Do lado russo, um civil foi morto na segunda-feira, 1º, na região de Kursk, próxima à fronteira, em um ataque de drone ucraniano, informou o governador local, Aleksandr Khinchtein.

Um incêndio também foi registrado na refinaria de Ilski, na região de Krasnodar, no sul da Rússia, após um ataque de drones, segundo o centro operacional regional.

Intensificação dos bombardeios

Moscou, que bombardeia a Ucrânia quase todas as noites, intensificou seus ataques diurnos nos últimos meses. Isso provocou uma resposta de Kiev, que também aumentou seus ataques contra a Rússia, especialmente os de longo alcance.

Em maio, o número de mísseis russos lançados foi um dos mais elevados desde o início do conflito: 211 no total, incluindo um míssil balístico de alcance intermediário Orechnik, capaz de transportar ogivas nucleares, utilizado pela terceira vez desde o início da invasão russa em 2022.

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A Rússia também lançou 8.150 drones de longo alcance contra a Ucrânia em maio, um aumento de 24% em relação a abril, segundo uma compilação de dados divulgados diariamente.

Esse número recorde de ataques com drones ocorreu apesar de uma trégua de três dias iniciada em 9 de maio, que havia despertado esperanças de retomada das negociações para encerrar a guerra. Moscou e Kiev acusaram-se mutuamente de violar essa trégua, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Esses novos ataques demonstram que Vladimir Putin "tem apenas uma carta para jogar: o terror", afirmou nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha.

"Putin é um criminoso de guerra e um derrotado. Moscou está perdendo no campo de batalha. Nenhuma quantidade de mísseis poderá mudar isso", declarou o chanceler em comunicado publicado nas redes sociais.

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Na Ucrânia, os estoques de armas estão se esgotando

A Rússia lançou, em meados de maio, um dos ataques mais devastadores contra a capital ucraniana, quando um míssil destruiu grande parte de um edifício residencial, causando cerca de vinte mortes.

Apesar disso, Kiev afirma ter interceptado 91% dos drones e mísseis russos lançados em maio.

A Ucrânia desenvolveu um sistema pioneiro de defesa antiaérea contra drones, mas continua dependente do fornecimento de armamentos por parte dos aliados ocidentais para se proteger contra ataques com mísseis.

Autoridades ucranianas têm alertado repetidamente que os estoques de munição dos sistemas antimísseis são insuficientes.

As negociações para encerrar a ofensiva em larga escala contra a Ucrânia, que já causou centenas de milhares de mortes e milhões de refugiados ao longo de mais de quatro anos de conflito, continuam estagnadas.

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