Rússia e Ucrânia trocam acusações após ataques à maior usina nuclear da Europa

A usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa e ocupada pela Rússia no sul da Ucrânia, é alvo de ataques neste fim de semana, atribuídos às forças ucranianas. Na Rússia, diversas regiões foram atingidas por drones ucranianos na madrugada deste domingo (31).

31 mai 2026 - 10h57

"Um drone atingiu um prédio que abriga uma turbina na usina hoje, supostamente abrindo um buraco em sua parede", disse a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com sede em Viena, na noite de sábado (30). "Não deve haver ataques de qualquer tipo originados ou direcionados à usina", acrescentou a agência, citando seu diretor-geral, Rafael Grossi. "Atacar instalações nucleares é brincar com fogo", alertou.

Região ucraniana de Dnipro foi atingida por disparos russos neste 31 de maio de 2026.
Região ucraniana de Dnipro foi atingida por disparos russos neste 31 de maio de 2026.
Foto: REUTERS - Stringer / RFI

Na tarde de domingo, as autoridades de Zaporíja relataram outro bombardeio ucraniano que atingiu a oficina de transporte do local, que tem sido alvo de ataque frequentes nos últimos meses. Seis ônibus e dois caminhões foram destruídos, segundo a mesma fonte, que acrescentou que a usina continua "operando normalmente" e que sua segurança operacional está "totalmente garantida".

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A usina de Zaporíjia está ocupada pela Rússia desde março de 2022. As instalações ficam na margem sul do rio Dnipro, que serve como uma linha de frente natural entre as partes em conflito.

Troca de acusações

Em um comunicado divulgado pela imprensa russa, a empresa nuclear estatal Rosatom acusou os militares ucranianos de realizar um ataque deliberado. Segundo a empresa, o drone foi guiado por um cabo de fibra óptica, o que descartaria completamente "a possibilidade de um ataque acidental".

"Hoje [sábado], estivemos perto de um incidente que muito provavelmente afetará até mesmo aqueles que vivem muito além das fronteiras da Rússia e da Ucrânia", alertou o CEO da Rosatom, Alexei Likhachev.

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia rejeitou essas acusações e declarou, em um comunicado à imprensa, que elas "não têm lógica".

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"Não entendemos por que a Ucrânia atacaria sua própria usina nuclear localizada em seu próprio território, que ela mesma busca recuperar sob seu controle soberano", disse o ministério. "Consideramos essas declarações mais uma campanha de desinformação conduzida pelo Estado ocupante", acrescentou.

Segundo a Rosatom, o ataque rompeu a parede da sala de turbinas, mas não danificou os equipamentos essenciais da usina. O Ministério da Defesa russo afirmou que o dano causado pelo drone estava localizado "a 10 metros do prédio do reator".

'Chuva' de drones 

Em paralelo, drones ucranianos atingiram alvos industriais e de energia em várias regiões russas durante a madrugada de sábado para domingo, informaram autoridades locais. Já a Rússia lançou 229 drones contra a Ucrânia, segundo a Força Aérea Ucraniana.

As defesas aéreas neutralizaram 212 dessas aeronaves. Os militares ucranianos também registraram o impacto de 14 drones de ataque em 11 locais, além da queda de destroços de drones em cinco zonas. "O ataque continua e vários drones inimigos estão no espaço aéreo ucraniano", declarou o exército.

Pelo menos cinco pessoas morreram e 37 ficaram feridas em ataques russos na Ucrânia somente no sábado, segundo as autoridades ucranianas. Somente na região de Dnipropetrovsk, foram registrados 12 feridos, indicou o governador Oleksandr Hanzha.

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Na Rússia, em Saratov, às margens do rio Volga e com várias refinarias de petróleo, o governador Roman Busargin afirmou no Telegram que a "infraestrutura civil" foi danificada. A região tem sido visada com frequência nos últimos anos pelos ucranianos.

Em Kirov, a nordeste de Moscou e a cerca de 1.300 km da Ucrânia, o governador Alexander Sokolov afirmou que drones atingiram um local no distrito de Urzhumsky. Os governadores russos das regiões fronteiriças de Rostov, Voronezh e Belgorod, também relataram ataques aéreos, com três civis feridos em Belgorod.

Drones ucranianos também atingiram um navio-tanque no porto de Taganrog e um depósito de petróleo na cidade de Armavir, no sul da Rússia.

Os incêndios causados pelo ataque foram controlados e não houve relatos de vazamento de petróleo, disse o governador de Rostov, Yuri Slyusar, pelo Telegram. Duas pessoas ficaram feridas, acrescentou.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, confirmou a ação contra as instalações petrolíferas de Armavir, localizadas a cerca de 500 quilômetros da fronteira ucraniana.

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"Estamos legitimamente retornando a guerra ao seu ponto de partida. A Rússia poderia ter encerrado sua agressão há muito tempo, mas optou por prolongá-la e perpetuá-la", declarou ele na rede social X.

Com AFP e Reuters

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