Rússia, Ucrânia e Estados Unidos retomarão negociações de paz nos dias 10 e 11 de novembro em Abu Dhabi, buscando saídas para a guerra e medidas de segurança pós-conflito. O anúncio ocorre em meio a impasses territoriais e a uma nova e pesada ofensiva russa contra a infraestrutura energética e ferroviária ucraniana, que causou apagões em várias regiões e levou o presidente Volodymyr Zelensky a pedir um cessar-fogo no Mar Negro. Washington também debaterá garantias de segurança com aliados da Otan.
O Kremlin confirmou que a delegação russa participará de uma nova rodada de negociações trilaterais com Kiev e Washington na tentativa de encontrar uma saída diplomática para a guerra na Ucrânia.
"Sim, posso confirmar essa data. Uma delegação russa irá a Abu Dhabi nos dias 10 e 11 de novembro e participará das negociações trilaterais", afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.
Segundo o porta-voz, o negociador Vladimir Medinski voltará a chefiar a delegação russa, como ocorreu na rodada anterior de discussões, realizada no início do ano e interrompida após o conflito entre Irã, de um lado, e Estados Unidos e Israel, de outro.
As negociações haviam sido anunciadas na segunda-feira (2) pelo enviado especial americano Steve Witkoff.
Durante uma visita a Berlim, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a realização de uma nova rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia nos dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi. O presidente ucraniano defendeu um cessar-fogo no Mar Negro, onde os ataques se intensificaram nos últimos meses.
Impasse diplomático
O conflito no Oriente Médio relegou a questão ucraniana a segundo plano nas prioridades da administração americana durante vários meses. O último encontro entre representantes da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos ocorreu em meados de fevereiro, em Genebra, sem alcançar avanços para encerrar a guerra desencadeada pela ofensiva russa em larga escala de fevereiro de 2022.
Mais de quatro anos após o início do conflito, as negociações seguem em impasse. Moscou exige, entre outras condições, a retirada completa das forças ucranianas da região de Donetsk, no leste do país. Kiev rejeita a exigência, alegando que ela deixaria a Ucrânia vulnerável a novos ataques russos.
Segundo Steve Witkoff, os debates em Abu Dhabi abordarão mecanismos de segurança para o pós-guerra, medidas de redução da tensão, esforços humanitários e os próximos passos rumo à paz. O enviado americano acrescentou que negociadores dos Estados Unidos viajarão ainda nesta semana a Bruxelas para se reunir com representantes da França, da Alemanha, do Reino Unido, da União Europeia e da Otan, a fim de discutir garantias de segurança para a Ucrânia.
Novos ataques russos na Ucrânia
O presidente Volodymyr Zelensky denunciou nesta terça-feira (3) uma onda de ataques russos contra a infraestrutura energética da Ucrânia, uma semana antes da retomada das negociações entre Kiev e Moscou sob mediação dos Estados Unidos. Segundo ele, a Rússia lançou durante a noite 289 drones, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro contra diferentes regiões do país.
As autoridades ucranianas informaram que instalações de energia em dez regiões sofreram danos significativos. Os ataques provocaram cortes emergenciais de eletricidade em Kiev e em várias outras regiões. A principal empresa privada de energia do país informou que três usinas termelétricas ficaram fora de operação.
Moscou afirmou ter atingido centrais elétricas que abasteciam a indústria militar e as forças armadas ucranianas. Kiev acrescentou que a ofensiva também danificou ferrovias, trens, locomotivas e uma estação ferroviária.
RFI com AFP