A ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, é a anfitriã do evento, que reúne representantes das sete maiores economias do mundo e países parceiros, como Mongólia e Armênia - responsáveis, neste ano, pela organização das COPs sobre desertificação e biodiversidade, respectivamente.
"A proteção ambiental já não é a prioridade internacional", reconheceu a ministra em seu discurso de abertura. Ela apresentou cinco eixos centrais para as discussões: "financiamento da proteção da biodiversidade, preservação dos oceanos, garantia dos recursos hídricos, a relação entre desertificação e segurança e o fortalecimento da resiliência de territórios e infraestruturas diante de desastres naturais".
A pauta climática, porém, ficará fora do centro do debate, assim como a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. Esse tema será discutido em seguida, durante uma reunião sem precedentes que reunirá cerca de 50 países em Santa Marta, na Colômbia, entre 24 e 29 de abril.
"Um G7 ao ritmo dos Estados Unidos não pode afirmar que está resolvendo as crises do século se ignora as mudanças climáticas, as desigualdades de gênero e se limita a uma visão energética de curto prazo", critica Gaïa Febvre, responsável por política internacional da Rede de Ação Climática (CAN), que reúne diversas ONGs. "Ao ceder à pressão, enfraquece a ação coletiva e renuncia ao seu potencial de liderança."
"Questões menos controversas"
A França assumiu a decisão de não "abordar diretamente a questão climática" para preservar o consenso dentro do grupo, que também conta com a participação de Japão, Reino Unido e Alemanha. "Queríamos priorizar a unidade do G7, particularmente para proteger este fórum. Por isso, optamos por nos concentrar em temas menos controversos", explicou uma fonte próxima a Monique Barbut. A reunião de Paris acontece semanas antes da cúpula de chefes de Estado do grupo, prevista para junho, em Évian, nos Alpes franceses, sob a presidência de Emmanuel Macron.
O retorno de Donald Trump, um negacionista climático, à Casa Branca, no início de 2025 foi seguido por uma série de retrocessos ambientais, desde a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris até o enfraquecimento de diversas regulações no país. Um indicativo do baixo engajamento americano nesta reunião é o nível de sua representante: Usha-Maria Turner, administradora assistente para Assuntos Internacionais e Tribais da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, um cargo de escalão intermediário.
Financiamento da natureza
Apesar das divergências, a França busca mobilizar apoio dos parceiros - incluindo os Estados Unidos - por meio da "Aliança para o Financiamento da Natureza e dos Povos", iniciativa voltada a ampliar investimentos públicos e privados na proteção da biodiversidade.
De acordo com fontes próximas ao governo francês, Paris pretende anunciar um aporte de até US$ 800 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) destinado à preservação de parques nacionais em cerca de 20 países africanos. "Só podemos saudar o fato de o financiamento da biodiversidade ter entrado na agenda", afirmou Jean Burkard, diretor de advocacy do WWF França. Ele ressalta, no entanto, que "esses recursos devem ser adicionais e não compensar um eventual desengajamento dos Estados, especialmente da França".
Outros objetivos do encontro incluem a elaboração de uma declaração política sobre desertificação e segurança. Também estão previstas sessões dedicadas aos oceanos, com a meta de lançar uma aliança de áreas marinhas protegidas.
A programação contempla ainda debates sobre os impactos de desastres naturais e do mercado imobiliário na poluição da água. Para a tarde de quinta-feira, está prevista uma visita à Floresta de Fontainebleau, na região de Paris, no âmbito de uma sessão voltada à preservação florestal.
Com AFP