O Reino Unido e a Índia assinaram nesta quinta-feira (24) um acordo de livre-comércio, após anos de negociações difíceis envolvendo produtos como o uísque britânico e o setor têxtil indiano. A assinatura ocorreu durante a visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Reino Unido.
Segundo o premiê britânico Keir Starmer, o acordo, fechado em maio, é o mais "significativo do ponto de vista econômico desde a saída do Reino Unido da União Europeia". Em entrevista coletiva realizada em Chequers, residência de campo oficial dos primeiros-ministros britânicos, Starmer celebrou o que chamou de "um dia histórico" para os dois países.
A Índia, quinta maior economia do mundo e país mais populoso do planeta, representa um mercado de 1,4 bilhão de habitantes. "Temos laços históricos, familiares e culturais únicos, e queremos fortalecer ainda mais essa relação, tornando-a mais ambiciosa, moderna e voltada para o futuro", afirmou o líder britânico.
Narendra Modi também comemorou o que descreveu como "a redação de um novo capítulo" entre dois "parceiros naturais", após "muitos anos de trabalho árduo" para alcançar esse resultado.
As negociações começaram em 2022, durante o governo de Boris Johnson, e foram retomadas no fim de fevereiro, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas sobre vários países.
O acordo prevê um aumento de 25,5 bilhões de libras no comércio bilateral, embora deva acrescentar apenas 4,8 bilhões de libras por ano ao Produto Interno Bruto (PIB) britânico, atualmente estimado em 2,8 trilhões de libras, segundo dados oficiais.
Entre os principais pontos, está a redução das tarifas médias sobre produtos britânicos exportados para a Índia — como o uísque, que passará de uma taxa de 150% para 75%, e depois para 40% ao longo de dez anos — além de peças para a indústria aeroespacial e equipamentos médicos. Em troca, o Reino Unido reduzirá tarifas sobre roupas, calçados, bens de engenharia e alimentos produzidos na Índia.
Encontro com o rei Charles III
O Reino Unido mantém fortes laços econômicos e culturais com sua ex-colônia, com cerca de 1,9 milhão de pessoas de origem indiana vivendo no país. Esta é a quarta visita de Modi ao Reino Unido desde que assumiu o cargo em 2014, e a primeira desde que Keir Starmer chegou ao poder, há um ano.
Antes de embarcar para Londres, Modi também expressou satisfação por visitar o rei Charles III, com quem se encontrou na tarde desta quinta-feira. A visita ocorre pouco mais de um mês após o acidente com um avião da Air India com destino a Londres, que deixou 260 mortos — entre eles, 52 britânicos — em 12 de junho, após decolar de Ahmedabad, na Índia.
Um advogado que representa 20 famílias britânicas das vítimas, James Healy-Pratt, afirmou à agência PA que parentes de uma das vítimas descobriram que os restos mortais repatriados haviam sido misturados com os de outra pessoa. Outra família foi informada de que o corpo entregue não era o de seu ente querido. Espera-se que o caso tenha sido abordado durante as conversas entre os dois líderes.
Segundo Downing Street, Keir Starmer afirmou a Modi que "o Reino Unido continuará apoiando todos os afetados pela tragédia", embora não tenha comentado os casos específicos.
Outro tema sensível é o do blogueiro sikh escocês Jagtar Singh Johal, preso na Índia desde 2017, acusado de envolvimento em um complô contra líderes hindus de extrema direita. Ele nunca foi condenado e, em março, foi absolvido em um dos nove processos que enfrenta.
Seu irmão, Gurpreet Singh Johal, expressou esperança de que o caso fosse tratado com prioridade nas discussões entre os dois governos.
(Com AFP)