Reino Unido acusa China de usar acadêmicos para espionar pesquisas em IA e outras áreas

30 set 2026 - 12h29
Resumo
O serviço de inteligência britânico MI5 alertou que mais de 100 acadêmicos do Reino Unido colaboraram, sem saber, com projetos financiados pelo Instituto Geral de Pesquisa Tecnológica da China, ligado à espionagem de Pequim. As pesquisas visavam aprimorar a capacidade de inteligência chinesa em áreas estratégicas como IA e segurança cibernética. O governo britânico exigiu o fim imediato das parcerias, sob risco de processos judiciais, enquanto a embaixada da China chamou as acusações de caluniosas.

A agência de espionagem britânica MI5 emitiu nesta ‌quarta-feira um alerta sem precedentes para alertar que uma organização chinesa está envolvida no financiamento de pesquisas acadêmicas sobre temas como inteligência artificial em nome do serviço de segurança do Estado de Pequim.

Em seu "Alerta de Espionagem", o MI5 afirmou que mais de 100 acadêmicos sediados no Reino Unido haviam contribuído para projetos financiados pelo Instituto Geral de Pesquisa Tecnológica da China (CGTRI), que mantinha "laços muito fortes" com o Ministério ⁠da Segurança do Estado da China (MSS), o serviço de inteligência civil de Pequim.

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"O MI5 identificou que o objetivo ‌principal do CGTRI é financiar pesquisas acadêmicas que melhorem diretamente a capacidade técnica do MSS para espionagem", dizia o alerta.

"Acadêmicos do Reino Unido contribuíram para projetos financiados pelo CGTRI em temas que incluem ‌inteligência artificial, segurança cibernética, sistemas de comunicação secretos e esteganografia. ‌Essa atividade apoia a espionagem do MSS, o que representa uma ameaça à segurança nacional do ⁠Reino Unido."

A esteganografia é a prática de ocultar informações dentro de mensagens ou objetos.

O alerta, que segundo o MI5 foi a primeira vez que a agência publicou um aviso de forma independente, é o mais recente de uma série de acusações relacionadas a atividades de espionagem chinesas e destaca a tensão entre as preocupações de segurança britânicas e as iniciativas do governo para estreitar laços com Pequim.

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Pequim já havia ‌rejeitado alegações anteriores, classificando-as como infundadas e pura invenção.

O MI5 afirmou que muitos acadêmicos e instituições teriam se ‌envolvido de boa fé com ⁠o CGTRI — que, segundo o órgão, ⁠às vezes é traduzido como Academia Chinesa de Tecnologia Geral (CAGT) — sem saber de seus laços estreitos com o MSS.

No ⁠entanto, afirmou que aqueles que continuassem a fazê-lo correriam ‌agora o risco de serem processados ‌nos termos da Lei de Segurança Nacional do Reino Unido, aprovada em 2023 para conferir maiores poderes no combate à espionagem estrangeira e às atividades de Estados hostis.

O ministro da Segurança, Dan Jarvis, disse ter escrito a todos os reitores das universidades britânicas para garantir que os funcionários ⁠encerrem qualquer relação com a organização chinesa.

"Este alerta expõe as tentativas da inteligência chinesa de se beneficiar secretamente da expertise e da pesquisa de nossos acadêmicos, prejudicando nossa segurança nacional e a de nossos aliados", afirmou ele em comunicado.

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"Parcerias internacionais são vitais para garantir que nossas universidades e institutos de pesquisa continuem a prosperar, mas tomaremos medidas enérgicas para ‌nos defender contra as ameaças que enfrentamos."

As relações do Reino Unido com a China têm se tornado cada vez mais complicadas nos últimos anos.

Por um lado, o governo britânico tem buscado melhores relações ⁠com Pequim para fortalecer os laços comerciais e aprovou planos para que a China construa em Londres sua maior embaixada na Europa; por outro, tem alertado repetidamente sobre as atividades de espionagem chinesas e as tentativas de minar o sistema democrático britânico.

No ano passado, Ken McCallum, diretor-geral do MI5, afirmou que espiões chineses representavam uma ameaça diária à segurança nacional e estavam criando anúncios falsos de emprego para tentar induzir profissionais britânicos a entregar informações.

Sua agência também emitiu um alerta aos parlamentares britânicos em novembro passado, informando que agentes chineses os estavam visando para coletar informações e influenciar suas atividades, fingindo ser recrutadores ou representantes de empresas.

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Em junho, agências de segurança da aliança "Five Eyes" — composta por EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia — publicaram um alerta sobre espiões chineses que utilizavam agressivamente plataformas de emprego online para recrutar pessoas com acesso a informações confidenciais.

A embaixada da China em Londres afirmou que o alerta é "inteiramente inventado e constitui calúnia maliciosa".

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