'Queremos a cabeça de Trump': multidão vai às ruas no Irã para funeral de aiatolá Ali Khamenei

"Não queremos acordo, queremos a cabeça de Trump!", gritavam iranianos que compareceram nesta segunda-feira (6) na cerimônia do funeral do ex-líder supremo Ali Khamenei, em Teerã. O corpo do aiatolá ficou exposto em Teerã desde o dia 4 de julho e passará por outras cidades do Irã e no Iraque, antes do enterro em Mashhad, em 9 de julho.

6 jul 2026 - 13h02

Como já havia ocorrido durante o final de semana, desde o amanhecer de segunda-feira uma multidão ocupou o centro de Teerã para acompanhar o cortejo fúnebre. Nenhum número oficial de participantes foi divulgado, mas a capital iraniana não via uma mobilização desse porte desde o funeral do general Qassem Soleimani, em 2020, que reuniu sete milhões de pessoas, segundo dados oficiais da época.

Para Gholamreza Khanbabaï, de 58 anos, que também participou do funeral do aiatolá Ruhollah Khomeini em 1989, a morte de Khamenei como "mártir" alimentou a comoção popular.

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Khomeini morreu em 3 de junho de 1989. Três dias depois, seu funeral reuniu o maior público da história do Irã. Segundo a agência estatal Irna, cerca de 10 milhões de pessoas participaram da cerimônia, marcada por cenas de caos.

O veículo que transportava o corpo foi cercado por fiéis, o sudário foi rasgado e o corpo chegou a cair no chão. A confusão provocou dezenas de mortes e mais de 10 mil feridos.

Mulher presta homenagem diante de um retrato de Ali Khamenei em Teerã; funeral do ex-líder supremo mobiliza multidões e é tratado pelo regime iraniano como uma demonstração de força política.
Mulher presta homenagem diante de um retrato de Ali Khamenei em Teerã; funeral do ex-líder supremo mobiliza multidões e é tratado pelo regime iraniano como uma demonstração de força política.
Foto: RFI

Morte de Khamenei foi 'um choque'

Mohammad Kazemi, funcionário público de 65 anos, afirmou que a morte de Khomeini foi o "primeiro choque" para os iranianos e a de Khamenei o "segundo", dizendo perceber o mesmo nível de fervor popular.

"Queremos vingança. Se nada for feito, a situação vai piorar", afirmou o sexagenário, que carregava uma foto do presidente americano Donald Trump com a mira de uma arma apontada para o rosto.

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Ali Heydari, de 50 anos, também defendia a vingança. "O que significa esse protocolo de acordo? Não temos paz nem amizade com quem matou nosso pai", declarou, referindo-se a Khamenei.

"São apenas palavras de hipócritas, de pessoas que pensam apenas em seus próprios interesses e não entendem o povo", acrescentou, refletindo a posição dos setores mais conservadores do Irã, que rejeitam qualquer compromisso com Washington.

Demonstração de força

Para muitos dos presentes em Teerã, o funeral de Ali Khamenei representa uma demonstração de força do regime após a morte do guia supremo em 28 de fevereiro, em uma ofensiva de Israel e dos EUA. A cerimônia ocorre seis meses depois de grandes manifestações contra o governo e o alto custo de vida.

O assassinato de Ali Khamenei foi reivindicado por Israel e teria sido motivado pela implementação de um programa iraniano que visaria destruir o Estado hebreu, segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.

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Três filhos do líder assassinado rezaram ao lado de seu caixão no domingo, em uma imensa sala de orações em Teerã. No entanto, Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, não apareceu em público. Segundo informações divulgadas no país, acredita-se que ele tenha ficado desfigurado em consequência dos ferimentos sofridos no ataque que matou seu pai. O sucessor ainda não fez nenhuma aparição pública desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e dos bombardeios israelenses e americanos contra o Irã.

Donald Trump declarou neste fim de semana que as negociações de paz com o Irã foram adiadas em uma semana devido às cerimônias fúnebres.

Com agências

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