Quatro anos depois da morte de Mahsa Amini, manifestações continuam no Irã apesar da repressão

A Aliança dos Partidos Curdos do Irã convocou uma greve nesta quarta-feira (16) na região do Curdistão iraniano e em outras áreas do país para protestar de forma pacífica contra a repressão do regime iraniano. A paralisação marca os quatro anos da morte de Mahsa Amini, a jovem curda iraniana que morreu sob custódia da polícia, em Teerã, por usar o véu islâmico de maneira considerada inadequada. As manifestações contra o governo que sucederam a morte da jovem deram início ao movimento "Mulher, Vida, Liberdade". Mesmo após a repressão sangrenta, a mobilização continua.

16 set 2026 - 16h03
Resumo
Quatro anos após a morte de Mahsa Amini, protestos e greves diárias persistem no Irã contra a crise econômica e a corrupção, desafiando a violenta repressão do regime. As autoridades intensificam prisões preventivas, usam força extrema que mutila civis e impõem sentenças de morte a opositores, como Ali Zarei. Mesmo sob perseguição contínua, forte aparato policial e ameaça de execuções iminentes, a população mantém atos de desobediência civil em todo o país.

Oriane Verdier, da RFI em Paris, com agências

Apesar dos massacres cometidos pelo regime durante a última grande onda de protestos, em janeiro passado, quando estima-se que mais de 30 mil pessoas teriam morrido, as manifestações continuam em todo o país, afirma a ativista política curda iraniana Sibel Khobayi.

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"No Curdistão iraniano e, de forma mais ampla, no Irã, ocorrem manifestações diárias de professores, taxistas, alunos e estudantes. As autoridades desprezam o povo e não pagam os salários dos funcionários públicos", explica ela.

Quanto à convocação da greve, o regime reforçou o controle, afirma Hawyar Shekhi, da ONG Hengaw. Segundo ela, as ondas de prisões começaram no Curdistão iraniano antes mesmo da paralisação.

"Recebemos relatos de dezenas de detenções. Esperamos uma forte presença das forças de segurança, como ocorre todos os anos, bem como pressões sobre a família de Mahsa Amini para impedi-la de prestar homenagens", observa.

De fato, as autoridades anunciaram uma repressão extremamente severa contra a convocação da greve. O regime define os manifestantes como inimigos.

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Relatos de manifestantes

Ali Zarei Doozdarrehsi perdeu o olho direito após ser atingido no rosto pelas forças de segurança durante as manifestações de 2022. O jovem, que na época tinha 23 anos, fugiu do país e estabeleceu-se na Alemanha. Ligado ao movimento monarquista e apoiador de Reza Pahlavi, ele se tornou um dos símbolos da oposição no exílio antes de retornar ao Irã "para estar ao lado de seus compatriotas".

Ele foi preso pelas autoridades iranianas em abril passado. Detido na prisão de Ghezel Hesar, em Karaj, a oeste de Teerã, foi condenado à morte pela Justiça da República Islâmica em agosto passado, acusado, entre outros crimes, de "corrupção", "propaganda contra o sistema" e "atentado à segurança nacional". Organizações de defesa dos direitos humanos alertam para o risco de execução iminente.

Assim como Ali Zarei, Ali Delpasand também sofreu um ferimento no olho enquanto participava do movimento de protesto desencadeado pela morte de Mahsa Amini. "Eu também estava junto à população com minha filha e minha esposa", conta ele. Alvo da ação das forças de segurança enquanto estava em seu carro, Ali Delpasand foi ferido no rosto e perdeu 80% da visão do olho esquerdo. Sua esposa e sua filha também ficaram feridas.

"Inicialmente, as manifestações começaram com jovens mulheres protestando contra a morte de Mahsa, que havia sido morta por causa de seu cabelo, e também para apoiar todas as mulheres que haviam sido presas. Mas, posteriormente, foram a injustiça, a corrupção, os desvios de verbas e a repressão exercida pelo regime que levaram à continuidade do movimento", explica outro manifestante, Parsa Ghobadi, também ferido no olho ao participar das manifestações de 2022.

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De fato, na sequência do movimento de protestos em apoio a Mahsa Amini, foi decretada uma greve nacional de 5 a 7 de dezembro de 2022. Manifestantes, bem como alguns caminhoneiros, bloquearam ruas para dificultar as operações das forças de repressão. Além disso, o boicote a determinados aplicativos governamentais e as ações de desobediência civil continuaram ao longo dos anos.

Segundo várias estimativas, quase 600 pessoas foram mortas pelo regime durante a revolta de 2022.

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