Putin oferece usar laços com Irã para ajudar a restaurar calma no Oriente Médio

2 mar 2026 - 13h09

O presidente da Rússia, ‌Vladimir Putin, conversou por telefone com os líderes de três países árabes do Golfo nesta segunda-feira, oferecendo-se para usar os laços de Moscou com o Irã para tentar ajudar a restaurar a calma no Oriente Médio após os ataques dos Estados Unidos e de Israel à República Islâmica, que ele condenou.

Em uma série ⁠de ligações com os líderes dos Emirados Árabes Unidos, Barein e Catar, Putin criticou ‌os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que o Kremlin descreveu como "agressão não provocada".

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Anteriormente, o Kremlin disse que Moscou permanecia em contato constante com ‌a liderança iraniana.

Moscou vê sua parceria estratégica com ‌o Irã como fundamental para manter sua influência remanescente no Oriente Médio, ⁠onde sua influência sofreu um golpe quando seu aliado mútuo, o presidente sírio Bashar al-Assad, foi derrubado há 15 meses.

Embora a Rússia possa se beneficiar dos preços mais altos do petróleo e possa receber bem a mudança de foco de Washington para longe da Ucrânia, a guerra aérea promovida por EUA e Israel também ‌vai contra o desejo de Moscou de uma ordem mundial multilateral na qual os ‌Estados Unidos não sejam dominantes.

Os ⁠Estados árabes do ⁠Golfo, todos aliados próximos dos EUA, têm sido alvo de ataques com drones e mísseis iranianos ⁠desde que os Estados Unidos e Israel ‌lançaram seus ataques aéreos no ‌sábado.

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De acordo com o comunicado do Kremlin sobre a ligação de Putin com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, o líder russo se ofereceu para agir como um canal de comunicação, transmitindo ⁠as reclamações dos Emirados Árabes Unidos sobre os ataques realizados por Teerã.

Durante a ligação, "ambos os lados enfatizaram a necessidade de um cessar-fogo imediato e um retorno ao processo político e diplomático", acrescentou o Kremlin.

Na ligação de Putin com o emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad ‌al-Thani, o Kremlin disse que ambos os líderes falaram sobre sua preocupação com a ampliação do conflito e o risco de países terceiros se envolverem. E Putin ⁠disse ao rei do Barein, Hamad bin Isa Al Khalifa, que a Rússia está pronta para fazer tudo o que puder para estabilizar a situação na região.

No domingo, Putin condenou o assassinato do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, como um homicídio "cínico". O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou os EUA e Israel de mergulhar o Oriente Médio "em um abismo de escalada descontrolada".

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Mas Moscou também está empenhada em não alienar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, já que Washington está mediando as negociações de paz sobre a Ucrânia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscou quer que essas negociações continuem.

"Temos nossos próprios interesses que devemos proteger, e é do nosso interesse continuar essas negociações (sobre a Ucrânia)", disse Peskov.

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