O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse estar aberto a "melhorar" as relações com os países da Europa, na esteira das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, ilha autônoma pertencente à Dinamarca.
Em encontro com embaixadores europeus em Moscou, o chefe do Kremlin afirmou nesta quinta-feira (16) que os laços com países como "França, República Tcheca, Portugal, Noruega, Suécia, Áustria, Suíça e Itália" têm "raízes históricas profundas e são ricos em exemplos de colaborações mutuamente benéficas", porém agora "deixam a desejar".
"Hoje o diálogo e os contatos, e não por nossa culpa, foram reduzidos ao mínimo, e a interação sobre questões cruciais nos âmbitos internacional e regional foi congelada", destacou Putin.
No entanto, segundo o presidente, a Rússia "continua empenhada em melhorar" as conexões com a Europa e está "pronta a restabelecer o nível de relações de que precisamos".
As declarações chegam em meio às ameaças de Trump de tomar a Groenlândia, com base em uma alegada presença naval de China e Rússia no Ártico, cenário que já levou países europeus a enviar militares para a ilha, de forma a demonstrar apoio à Dinamarca contra as investidas americanas.
Questionado sobre as declarações de Putin durante um evento em Roma, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse que, se os laços atuais com Moscou "deixam a desejar", é por culpa da Rússia.
"É porque nós defendemos a Ucrânia, mas nós não estamos em guerra com a Rússia, nunca estivemos, não estamos em guerra com o povo russo. Falamos apenas que o Kremlin errou, que a invasão à Ucrânia é um ato que consideramos absolutamente ilegítimo, nada além disso", afirmou.