Um policial da universidade onde o proeminente ativista conservador norte-americano Charlie Kirk foi assassinado no ano passado testemunhou nesta segunda-feira que observou o que parecia ser um "posto de atirador" no topo do prédio de onde o tiro fatal foi disparado, enquanto os promotores começavam a apresentar seus argumentos para que um homem de Utah seja levado a julgamento pelo crime.
Em um tribunal lotado em Provo, Utah, a viúva de Kirk, Erika Kirk, sentou-se a pouca distância de Tyler Robinson, o homem acusado de dirigir quatro horas desde sua cidade de Washington, em Utah, para assassinar Kirk, de 31 anos, em 10 de setembro. Membros da família de Robinson também estavam presentes. Robinson, vestindo uma jaqueta cinza, sentou-se entre seus advogados, tomando notas.
Donald Trump Jr. estava presente na audiência preliminar, segundo a mídia, e o ativista de direita Jack Posobiec foi visto entrando no tribunal.
Durante a audiência preliminar de uma semana, os promotores estaduais precisam convencer o juiz do Tribunal Distrital Tony Graf de que há causa provável para acreditar que Robinson, de 23 anos, disparou o único tiro que matou Kirk diante de milhares de pessoas em Orem, Utah.
Kirk, uma figura influente responsável por mobilizar muitos jovens eleitores em apoio a Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos de 2024, foi baleado enquanto participava de um evento na Utah Valley University, a 65 km ao sul de Salt Lake City, para um de seus debates no campus que atraía multidões e lhe deu destaque nacional.
Chris Bagley, que era policial da força de segurança da universidade e estava de plantão no dia do assassinato, disse ter visto Kirk ser baleado e descreveu o caos que se seguiu.
"Ele estava respondendo a uma pergunta e, então, ouvi um tiro", testemunhou Bagley como a primeira testemunha de acusação. "Todos começaram a se levantar e a correr em uma situação caótica, de pânico."
Bagley disse ter visto Kirk cair para a esquerda após o tiro.
Um relato inicial, que acabou se revelando equivocado, informava que um suspeito havia sido detido, disse Bagley.
Bagley disse que correu até um prédio do campus de onde acreditava que o tiro tivesse vindo e subiu quatro lances de escada até o telhado. Lá, disse Bagley, ele encontrou uma chave de fenda e marcas no cascalho, cujas fotografias foram apresentadas como prova. Bagley também disse ter visto marcas na superfície de cascalho do telhado, aparentemente feitas por cotovelos, joelhos e pés.
"Para mim, parecia um posto de atirador", disse Bagley.
Bagley disse que, mais tarde, assistiu a um vídeo da polícia do campus mostrando uma pessoa naquele telhado se posicionando para atirar em Kirk, disparando um tiro e, em seguida, correndo para o lado nordeste do prédio. A pessoa pulou do telhado na grama abaixo e fugiu, disse Bagley.
Já a advogada de Robinson, Kathryn Nester, perguntou a Bagley sobre um coldre de pistola vazio que o policial viu no chão, na área do pátio onde Kirk foi baleado. Bagley disse que o coldre nunca foi recuperado como prova, nem examinado em busca de impressões digitais.
Se o juiz considerar que há causa provável, Robinson apresentará sua defesa em uma audiência de acusação que poderia ocorrer no mesmo dia, e um julgamento seria marcado em data posterior. Ele enfrenta sete acusações criminais, incluindo homicídio qualificado. Os promotores afirmaram que pedirão a pena de morte para Robinson, que estava estudando para se tornar eletricista.
O assassinato de Kirk, capturado em um vídeo de celular que se espalhou amplamente nas redes sociais, está entre uma série de ataques contra figuras políticas dos EUA nos últimos anos que alimentaram o debate sobre a violência política em um país profundamente polarizado.
Ele foi cofundador da Turning Point USA aos 18 anos, em 2012, e a organização juvenil conservadora tornou-se uma força influente na política republicana.
IMAGENS DE VÍDEO
Espera-se que os promotores mostrem um vídeo explícito do assassinato, e a família de Kirk pode deixar o tribunal quando algumas provas forem apresentadas, de acordo com uma pessoa a par da situação.
Também devem apresentar um vídeo que, segundo alegam, mostra Robinson na universidade antes e depois de Kirk ter sido baleado.
Os promotores também planejam apresentar outras provas que, segundo eles, ligam Robinson ao crime, incluindo DNA do rifle que, segundo as autoridades, foi usado no assassinato, um depoimento gravado do ex-colega de quarto de Robinson e uma mensagem manuscrita que dizia: "Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e a aproveitei" .
Os advogados de Robinson provavelmente destacarão os testes balísticos que se mostraram inconclusivos ao comparar um fragmento de bala removido do corpo de Kirk com a suposta arma do crime.
Robinson se entregou à polícia depois que seus pais viram imagens do atirador e o confrontaram, de acordo com documentos judiciais.