Irã diz a chefe do Exército do Paquistão que não haverá negociações com EUA até que exigências sejam atendidas

20 out 2026 - 14h04
(atualizado às 15h21)
Resumo
O Irã recusou negociar com os EUA até que suas exigências sejam cumpridas, informaram líderes iranianos ao chefe do Exército do Paquistão, país que atua como mediador do conflito. Teerã condiciona o diálogo ao fim das sanções ao seu petróleo, à suspensão de bloqueios a portos e ao encerramento de hostilidades. Além disso, o país rejeitou transferir seu urânio enriquecido para o exterior, contrariando as exigências de Washington para pôr fim à guerra que já dura oito meses na região.

O Irã informou ao comandante do ‌Exército do Paquistão, nesta terça-feira, que não haverá negociações com Washington até que as exigências de Teerã sejam atendidas, segundo a mídia iraniana, ressaltando o endurecimento de sua postura, apesar dos esforços de mediação do Paquistão, seu principal interlocutor.

O presidente Masoud Pezeshkian discutiu os esforços ⁠de mediação e os desdobramentos regionais com o marechal de campo ‌Asim Munir em Teerã, segundo a Nournews.

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O Paquistão é um mediador fundamental entre os EUA e o Irã. Seus esforços anteriores de ‌mediação com ambas as partes resultaram em ‌um acordo de paz provisório assinado em junho. Mas ⁠o Memorando de Islamabad rapidamente fracassou, em meio a novos confrontos entre o Irã e os EUA semanas depois.

Munir também se reuniu com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Qalibaf. O representante iraniano afirmou que Washington não poderá conquistar a confiança de Teerã até que ‌cumpra as sete condições apresentadas pelo Irã para a reabertura do Estreito ‌de Ormuz no mês ⁠passado, de acordo ⁠com um comunicado iraniano sobre a reunião.

As condições do Irã incluem, entre outras ⁠exigências, o fim do bloqueio ‌dos EUA aos seus portos, ‌o fim das sanções dos EUA às suas exportações de petróleo, bem como o fim das hostilidades em todas as frentes regionais.

O chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, transmitiu uma ⁠mensagem semelhante durante uma reunião separada com Munir, afirmando que não haverá negociações com Washington até que as exigências de Teerã sejam atendidas, segundo a mídia iraniana.

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Rezaei também afirmou que todos os materiais nucleares enriquecidos permaneceriam no Irã, ‌reiterando a posição do líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, de que o urânio quase apto para uso militar não deveria ser ⁠enviado para o exterior.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou neste mês que o Irã deve fazer uma redução "significativa" em sua capacidade de enriquecimento de urânio para satisfazer as exigências dos EUA e pôr fim à guerra entre os dois países, que já dura oito meses.

Israel, os Estados Unidos e outros países ocidentais há muito acusam o Irã de buscar armas nucleares, apontando, entre outras coisas, para sua iniciativa de enriquecer urânio a 60%, um nível muito superior ao necessário para usos civis e mais próximo dos 90% exigidos para a fabricação de armas.

O Irã nega estar buscando armas nucleares.

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