Político da extrema direita italiana critica UE em evento com empresários

5 set 2026 - 13h50
(atualizado às 17h09)
Resumo
Em fórum empresarial, o político italiano de extrema direita Roberto Vannacci defendeu que a União Europeia interrompa a integração política, reduza a burocracia e priorize a defesa cultural, alinhando-se a outros nomes da direita europeia, como Jordan Bardella. Em contrapartida, o ex-premiê Mario Monti rebateu duramente as declarações, alertando contra uma retórica fascista e expressando temor pelo avanço de sentimentos que remetem a Benito Mussolini. O debate dividiu a reação da plateia.

O político de extrema direita em ascensão na Itália, Roberto Vannacci, afirmou neste sábado que a União Europeia deveria interromper a integração política e, em vez disso, começar a defender sua identidade cultural.

As declarações, feitas em um fórum empresarial de grande visibilidade, levaram o ex-primeiro-ministro Mario Monti a alertar contra sua "retórica fascista".

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Vannacci, um ex-general cujo ⁠partido Futuro Nazionale (Futuro Nacional) se tornou a quarta força mais popular da Itália apenas sete ‌meses após seu lançamento, debatia com Monti sobre o tema da integração da UE no encontro de gestores e empresários.

Apelando para que a UE reduza a burocracia, ‌ele afirmou na conferência anual TEHA Ambrosetti, às margens ‌do Lago Como, que o bloco de 27 países deveria se tornar "uma ⁠plataforma de colaboração, não de coerção".

Vannacci afirmou que forças de direita como a sua representam o futuro da Europa. Nas eleições de domingo no Estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, a Alternativa para a Alemanha (AfD) espera conquistar o poder pela primeira vez. Vannacci citou ainda a força da Reunião Nacional (RN) na França.

Falando na mesma conferência, o ‌líder da RN, Jordan Bardella, disse ser a favor de "mudar tudo sem destruir nada" ‌na UE, para construir "uma Europa ⁠do crescimento e uma ⁠Europa das fronteiras".

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Vannacci, cujas propostas incluem a abolição das "uniões civis" entre pessoas do mesmo sexo na ⁠Itália e a expulsão de imigrantes que ‌não assimilem "os valores da nossa ‌civilização", está tirando apoio da coalizão da primeira-ministra Giorgia Meloni, enquanto ela busca um novo mandato nas eleições previstas para o próximo ano.

A Europa deveria parar de produzir regras que entravem a iniciativa econômica e, em vez disso, defender ⁠sua "cultura e civilização", afirmou Vannacci.

Os negócios só podem prosperar em "uma sociedade coesa", disse ele, na qual "um espírito de sacrifício e um senso de pertencimento levam os cidadãos a trabalhar mais e a assumir riscos todos os dias".

Monti, de 83 anos, que foi duas vezes comissário da União Europeia e ‌liderou a Itália durante a grave crise da dívida de 2011-12, disse que Vannacci pode vir a fazer parte do governo um dia, mas que ele estava "aterrorizado" com ⁠a perspectiva de seu partido alimentar os sentimentos de insatisfação e ressentimento dos italianos, como fez o ditador Benito Mussolini durante a guerra.

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"Por mais velho que eu seja, se isso vier a acontecer, dedicaria o que resta da minha vida a impedir isso", disse.

O discurso de Vannacci recebeu aplausos educados da plateia, que demonstrou uma recepção mais calorosa às falas de Monti.

Arianna Fontana, patinadora de velocidade que este ano se tornou a atleta olímpica mais condecorada da Itália, disse à Reuters no fórum empresarial que ficou "quase comovida até as lágrimas" com a conclusão do discurso de Monti, enquanto outros convidados apoiaram as críticas de Vannacci à UE.

"Muitas das coisas que o general disse são verdadeiras", afirmou o lobista do setor de construção Achille Colombo Clerici.

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