O brasileiro Erik Antero, de 28 anos, teve a perna esquerda amputada após pisar em uma mina terrestre na Ucrânia enquanto tentava resgatar o corpo de um colega. Voluntário no conflito há quase seis meses em operações de resgate e desminagem, o pernambucano está hospitalizado e planeja retornar ao Brasil após sua recuperação. O caso reflete os riscos alertados pelo Itamaraty, que desaconselha expressamente a participação de cidadãos brasileiros em forças armadas estrangeiras e conflitos armados.
O pernambucano Erik Antero, de 28 anos, perdeu a perna esquerda após pisar em uma mina terrestre na Ucrânia, na terça-feira, 6 de outubro. Ele contou que seguia para recolher o corpo de outro combatente quando foi atingido pelo explosivo.
Natural de São Domingos, distrito de Brejo da Madre de Deus, no Agreste, Erik atua como voluntário no conflito há quase seis meses. A missão incluía retirada de feridos, recolhimento de corpos e desminagem.
O brasileiro também sofreu ferimentos nos braços e na outra perna. Hospitalizado, informou que passaria por três cirurgias. A amputação foi realizada abaixo do joelho.
Brasileiro pretende voltar para casa
Erik relatou ao g1 que conseguiu aplicar um torniquete na própria perna para conter o sangramento. O colega cujo corpo buscava, conhecido como Colômbia, também havia morrido ao pisar em uma mina.
O pernambucano pretende retornar ao Brasil, mas ainda não tem uma data. Antes da explosão, planejava viajar ao término da missão; agora, aguarda a recuperação.
Interesse pela carreira militar motivou viagem
Antes de ser ferido, Erik publicava registros da rotina no conflito, mas preservava informações sobre sua localização e as operações por questões de segurança.
Em entrevistas, afirmou que o interesse pela carreira militar motivou a decisão de se apresentar como voluntário. Na Ucrânia, passou a integrar um batalhão de infantaria de operações especiais.
Itamaraty alerta sobre alistamento no exterior
O Ministério das Relações Exteriores mantém um alerta sobre a participação de brasileiros em forças armadas estrangeiras. O órgão recomenda recusar propostas de atuação militar em outros países e destaca os riscos enfrentados por quem ingressa em conflitos.
Entre os problemas registrados estão mortes e dificuldades para interromper a participação depois do alistamento. A assistência consular também pode sofrer limitações relacionadas aos contratos assinados com as forças estrangeiras.
A orientação geral da Embaixada do Brasil em Kiev é evitar viagens à Ucrânia enquanto durar a guerra, diante dos ataques em diferentes regiões. Aos brasileiros que precisam permanecer no país, a recomendação é seguir as instruções das autoridades locais e os alertas para procurar abrigo.
Em emergências no exterior, cidadãos brasileiros podem procurar a representação consular responsável pelo território onde se encontram. Familiares no Brasil também podem solicitar assistência ao Itamaraty, que mantém atendimento de plantão para situações de risco à vida e à segurança.