Índia mobiliza 20 mil policiais antes de protesto do 'Partido das Baratas' contra reforma eleitoral

Nova Délhi está em estado de alerta na véspera de uma manifestação organizada pela oposição e pelo chamado "Partido das Baratas", que exige a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral. Mais de 20 mil agentes das forças de segurança foram mobilizados, estações de metrô foram fechadas e o serviço de internet móvel deve ser parcialmente interrompido na noite desta sexta-feira (9) no centro da cidade.

9 out 2026 - 15h55
Resumo
A Índia mobilizou 20 mil policiais e restringiu o transporte em Nova Délhi antes de um protesto liderado pelo movimento estudantil "Partido das Baratas" e pela oposição. Os manifestantes exigem a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral após uma reforma que excluiu mais de 130 milhões de eleitores, medida criticada por marginalizar minorias em benefício do premiê Narendra Modi. O líder opositor Rahul Gandhi reuniu-se com a presidência para denunciar fraudes no processo eleitoral.

O "Partido Popular das Baratas" (Cockroach Janata Party, CJP, na sigla em inglês), movimento estudantil surgido nas redes sociais, convocou os jovens a se reunirem no sábado (10) em Nova Délhi para exigir a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral da Índia (CEI), Gyanesh Kumar.

Há várias semanas, junto com o Partido do Congresso, o movimento lidera a contestação contra uma reforma eleitoral que resultou na exclusão de mais de 130 milhões de eleitores registrados, segundo levantamento da imprensa.

Publicidade

Iniciada em 2025, essa ampla revisão das listas eleitorais tinha como objetivo remover registros duplicados, pessoas falecidas e casos de fraude. Seus críticos, porém, afirmam que a medida exclui prioritariamente minorias, especialmente os muçulmanos, e as populações mais vulneráveis, em benefício do Bharatiya Janata Party (BJP), legenda do primeiro-ministro hindu ultranacionalista Narendra Modi.

Ao longo de toda a semana, parlamentares da oposição multiplicaram ações simbólicas de protesto nas ruas da capital indiana. As mobilizações levaram o líder oposicionista Rahul Gandhi e dezenas de outros deputados a serem brevemente detidos.

Nesta sexta-feira, Gandhi e outros opositores se reuniram com a presidente da Índia, Droupadi Murmu, e lhe entregaram um memorando detalhando suas críticas ao chefe da Comissão Eleitoral (CEI), Gyanesh Kumar. "A presidente pediu provas do roubo de votos (...) e teremos o maior prazer em fornecê-las", declarou Gandhi aos jornalistas ao fim da reunião.

Barreiras metálicas amarelas bloqueavam importantes vias do centro da cidade ao longo do dia, restringindo o acesso a Jantar Mantar, local designado pelo governo para a manifestação. A polícia não autorizou concentrações nesse espaço e, em uma carta enviada à operadora do metrô, ordenou o fechamento de estações a partir da noite de hoje, "em razão das manifestações previstas e da probabilidade de movimentos descontrolados de multidão".

Publicidade

A Suprema Corte, por sua vez, determinou que não houvesse interrupção total do funcionamento do metrô e que os cancelamentos de trens, assim como as restrições à circulação de veículos, fossem reavaliados. Mas o acesso à internet móvel no centro da capital deve ser suspenso a partir da noite desta sexta-feira, segundo decreto do governo.

Manifestação anterior duramente reprimida

Em 20 de julho, a polícia reprimiu duramente uma manifestação que reuniu em Nova Délhi várias dezenas de milhares de pessoas convocadas pelos "baratas" para denunciar fraudes em larga escala nos exames universitários, apontadas como causa de vários suicídios de estudantes. Os confrontos deixaram ao menos 180 feridos. Segundo as forças de segurança, dois terços deles eram policiais; para os manifestantes, a estimativa de feridos chegou a "várias centenas".

Cinco dias após o início da mobilização contínua, Narendra Modi, que construiu uma imagem de homem forte desde que chegou ao poder na Índia em 2014, não teve outra alternativa senão aceitar a renúncia de seu ministro da Educação. Foi a primeira vez que isso aconteceu.

O "Partido das Baratas" adotou esse nome para representar a resiliência e a capacidade de sobrevivência dos mais pobres, comparando-os à resistência das baratas. Mas também se inspirou de um insulto usado por um juiz da Suprema Corte contra jovens desempregados.

Publicidade

(Com agências)

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se