Em visita a Lourdes, na França, o papa Leão XIV reuniu-se individual e coletivamente com sete vítimas de abusos sexuais cometidos pelo clero. O pontífice ouviu relatos e propostas, manifestou solidariedade e reafirmou o compromisso da Igreja para que tais crimes não se repitam, cobrando vigilância máxima dos bispos. Como sinal desse combate, mosaicos de Marko Rupnik, ex-jesuíta acusado de abusos que responde a processo canônico, foram cobertos no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes para a ocasião.
O papa Leão XIV se reuniu neste domingo (27), em Lourdes, na França, com sete vítimas de abusos sexuais cometidos por homens do clero e da Igreja da França, um dos pontos altos de sua viagem ao país.
O grupo, composto por quatro homens e três mulheres, estava acompanhado do Gérard Le Stang, bispo de Amiens e presidente do Conselho para a Prevenção e Combate à Pedofilia da Conferência Episcopal Francesa.
Primeiro, o pontífice se encontrou com cada um de modo individual e privado, para em seguida se reunir com todos juntos, informou a Sala de Imprensa da Santa Sé.
Leão XIV "ouviu suas histórias e a dor e o sofrimento que suportaram ? por vezes, lamentavelmente, com a cumplicidade ou o silêncio daqueles que poderiam tê-los ajudado", relatou a Santa Sé, acrescentando que as vítimas também apresentaram propostas ao líder da Igreja Católica "para evitar que isso volte a acontecer".
Robert Prevost também dividiu um momento de oração com alguns dos presentes.
O encontro coletivo ocorreu em uma sala da Residência Episcopal, onde o Papa lhes dirigiu a palavra, "expressando gratidão pelo seu doloroso testemunho e reafirmando o próprio compromisso em garantir que o mal que sofreram não se repita com outros".
O líder católico também manifestou sua proximidade com as vítimas e, através delas, para "com todos aqueles que sofreram e continuam a sofrer com as feridas dos abusos".
Por fim, Leão XIV desejou que todos "trabalhem juntos para tornar a comunidade dos fiéis um lugar cada vez maior de conforto e cura para homens e mulheres de todas as idades".
Mais cedo, durante reunião com bispos da Conferência Episcopal da França no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, Prevost já havia expressado seu descontentamento a respeito dos abusos sexuais cometidos por membros do clero, chamando tais crimes de "doloroso flagelo". Segundo o Papa, é "preciso manter vigilância máxima" sobre o assunto.
De modo a reforçar o combate da Igreja contra os abusos sexuais em seu interior, os coloridos mosaicos que retratavam figuras do Evangelho no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes foram cobertos para a visita de Leão XIV ? e não há indicações de que voltem a público.
A obra é de Marko Rupnik, ex-jesuíta acusado de abuso por várias religiosas. Ele chegou a ser excomungado, mas, posteriormente, o papa Francisco revogou a sanção. No entanto, algumas vítimas continuam a buscar justiça, e Rupnik enfrenta agora um processo no Dicastério para a Doutrina da Fé.