O papa Leão XIV fez neste domingo (5) um forte apelo por esperança diante da violência da guerra "que mata e destrói" e da "idolatria do lucro" que saqueia os recursos da Terra, durante a primeira missa de Páscoa de seu pontificado, celebrada na Praça São Pedro, no Vaticano.
Em sua homilia perante a milhares de fiéis, o Pontífice alertou que "a morte está sempre à espreita" e se manifesta de diversas formas no mundo contemporâneo, como no egoísmo político, na opressão dos pobres e na negligência com os mais vulneráveis.
"Vemos isso na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se ergue em todos os lugares por causa dos abusos que esmagam os mais fracos, diante da idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, diante da violência da guerra que mata e destrói", afirmou.
A celebração ocorreu em uma Praça São Pedro decorada com dezenas de milhares de flores multicoloridas, preparadas com a colaboração de floristas holandeses e equipes dos Jardins Vaticanos. O cenário marcou a solenidade da ressurreição de Cristo, centro da fé cristã.
Apesar do cenário sombrio sobre a realidade global, o Papa destacou que a Páscoa representa uma "força imparável" capaz de iluminar até mesmo os momentos mais escuros. "Hoje precisamos dessa canção de esperança", disse, incentivando os fiéis a levarem a mensagem pascal "pelas ruas do mundo".
O Santo Padre também reconheceu as dificuldades pessoais enfrentadas pelos indivíduos, como a solidão, o peso dos erros e o cansaço cotidiano.
"Quando o peso de nossos pecados nos impede de alçar voo; quando as decepções ou a solidão que experimentamos minam nossas esperanças; quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver; quando experimentamos tristeza ou cansaço, quando nos sentimos traídos ou rejeitados, quando temos que lidar com nossa fraqueza, com o sofrimento, com o trabalho árduo de cada dia, então nos sentimos como se tivéssemos acabado em um túnel do qual não conseguimos ver a saída", admitiu.