O papa Leão XIV desembarcou nesta segunda-feira (13) em Argel para iniciar sua terceira viagem apostólica internacional, uma visita inédita ao continente africano que também inclui passagens por Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
Leão XIV é o primeiro pontífice da história a visitar a Argélia.
Antes de sua eleição como líder da Igreja Católica, porém, ele já havia estado no país em 2001 e 2013 como monge agostiniano, seguindo os passos de Santo Agostinho, nascido na antiga Hipona, atual Annaba.
Durante o voo de Roma a Argel, o Santo Padre destacou o significado de sua visita: "É uma viagem importante, a primeira que eu queria fazer. Estou muito feliz em visitar novamente a terra de Santo Agostinho", afirmou.
Segundo ele, o legado do santo representa "uma ponte essencial para o diálogo inter-religioso" e reforça a necessidade de construir "caminhos de paz e reconciliação".
Já em seu primeiro compromisso oficial, no Monumento aos Mártires, Robert Prevost recordou a história da Argélia, marcada por períodos de violência e superação.
"A Argélia é um grande país, com uma longa história e ricas tradições, que remontam à época de Santo Agostinho e muito antes. Uma história dolorosa, também marcada por períodos de violência, que, no entanto, graças à nobreza de espírito que vos caracteriza, e que sinto viva ainda agora, aqui, conseguistes superar com coragem e honestidade", afirmou.
O Papa explicou que estar diante do monumento "é uma homenagem a esta história e à alma de um povo que lutou pela independência, dignidade e soberania desta nação".
Além disso, reiterou seu apelo pela paz global: "Deus deseja a paz para todas as nações: uma paz que não seja meramente a ausência de conflito, mas uma expressão de justiça e dignidade".
Leão XIV também destacou a importância do perdão diante dos conflitos contemporâneos, ressaltando que "não se pode acumular ressentimento de geração em geração", pois "o futuro pertence aos homens e mulheres de paz" e que a "violência, apesar de todas as aparências, nunca terá a última palavra".
Dirigindo-se à população majoritariamente muçulmana do país, Prevost destacou a fraternidade entre os povos e religiões, lembrando que "o respeito mútuo representa o caminho" para todos "caminharem juntos.
O Pontífice também expressou esperança de que a Argélia contribua para a estabilidade regional, especialmente na área do Mediterrâneo, reforçando seu papel como ponte entre culturas.
"Um povo que ama a Deus possui a verdadeira riqueza, e o povo argelino guarda esta joia em seu tesouro. Nosso mundo precisa de crentes como estes, homens e mulheres de fé, sedentos de justiça e unidade", afirmou.
Para Leão XIV, "diante de uma humanidade que anseia por fraternidade e reconciliação, é uma grande dádiva e um compromisso abençoado declararmos com veemência e sermos sempre, juntos, irmãos e irmãs e filhos do único Deus".
Na Argélia, a agenda do Papa inclui ainda uma visita à mesquita de Argel, encontros com autoridades ? incluindo o presidente Abdelmadjid Tebboune ? e um momento com a comunidade católica local na Basílica de Nossa Senhora da África. .