Irã impõe novas condições antes de negociações de paz com EUA

Enquanto JD Vance viaja ao Paquistão para as conversas de sábado, o presidente do Parlamento iraniano exige a liberação de ativos bloqueados do país para dar início às negociações

10 abr 2026 - 17h52
(atualizado às 18h10)

Enquanto o vice-presidente dos Estados unidos, JD Vance, se dirigia ao Paquistão nesta sexta-feira, 10, para negociações de paz com o Irã, um alto funcionário iraniano apresentou uma nova condição para as negociações, aumentando a incerteza sobre a durabilidade do cessar-fogo e se os dois lados poderiam chegar a um acordo de longo prazo.

Publicidade

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, pediu a liberação dos ativos iranianos bloqueados, em uma publicação no X, afirmando que exigência "deve ser cumprida antes do início das negociações".

Ghalibaf, uma das principais figuras iranianas que supervisionam a guerra, não especificou o que entendia por ativos bloqueados, mas fundos iranianos no exterior são frequentemente congelados em decorrência de sanções impostas pelos Estados Unidos e outras nações ocidentais.

A outra condição prévia listada por ele foi a inclusão do Líbano no cessar-fogo, uma demanda que o Irã tem feito repetidamente.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu nas redes sociais que o Irã estava exagerando em suas ações antes das negociações. "Os iranianos parecem não perceber que não têm outras cartas na manga, além de uma extorsão de curto prazo contra o mundo por meio do uso das vias navegáveis ??internacionais", escreveu ele no Truth Social, referindo-se ao controle iraniano do Estreito de Ormuz.

Publicidade

O vice americano embarcou esta tarde em Washington para liderar a delegação americana nas negociações de paz que ocorrem no sábado, 11, em Islamabad. Vance disse que os Estados Unidos estão "dispostos a estender a mão" ao Irã caso haja negociação de boa fé.

A equipe iraniana já chegou ao país esta sexta (manhã de sábado no Paquistão). A delegação era composta por equipes de segurança, políticas, militares, econômicas e jurídicas. Os iranianos dizem que as negociações só começarão se a outra parte aceitar as pré-condições do Irã.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, comemorou que ambas as delegações já estão chegando a Islamabad para participar de negociações destinadas a garantir uma paz duradoura na região.

Em um pronunciamento televisionado à nação, Sharif descreveu o momento atual como decisivo. Ele agradeceu aos líderes de Irã e EUA por concordarem com um cessar-fogo e por realizarem negociações de paz a seu pedido.

Publicidade

Ele afirmou que seu governo faria o possível para garantir o sucesso do processo de paz e pediu aos cidadãos que orassem para que as negociações fossem bem-sucedidas.

Apesar do pedido de Trump para reduzir a intensidade dos ataques ao Líbano, Israel manteve nesta sexta os bombardeios aéreos no sul do país, visando alvos que, segundo o governo israelense, estão ligados ao Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã.

A continuidade da guerra no Líbano expôs diferenças significativas entre o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que afirmou que todos os objetivos de Israel ainda não foram alcançados, e Trump, que parece ansioso para fechar um acordo com o Irã para pôr fim à guerra.

Pressionado por Trump e líderes europeus, Netanyahu afirmou na quinta-feira, 9, que seu país iniciaria negociações com o governo libanês para desarmar o Hezbollah. Mas, horas depois, prometeu manter os ataques contra o grupo, dizendo: "Não há cessar-fogo no Líbano".

Publicidade

Um alto funcionário do Hezbollah descartou a ideia de negociações entre Israel e Líbano, afirmando que o governo libanês não falava em nome do grupo.

Vance adotou um tom otimista, porém cauteloso, sobre as negociações em Islamabad. "Acho que será positivo", disse ele aos repórteres, mas alertou que, se os iranianos "tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não está muito receptiva".

Uma das prioridades de Vance será a reabertura completa do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima vital para o transporte de petróleo e gás, que o Irã bloqueou na prática desde o início da guerra. Mesmo após o anúncio do cessar-fogo, o tráfego marítimo no estreito permaneceu mínimo.

O exército iraniano sinalizou nesta sexta que manteria o controle da passagem, afirmando em um comunicado divulgado pela mídia estatal iraniana que "não abriria mão de nossos direitos legítimos de forma alguma" sobre o estreito./AP e NYT

Israel, que invadiu o Líbano no mês passado paralelamente à guerra contra o Irã para erradicar o grupo armado Hezbollah, aliado de Teerã, diz que suas ações no país não estão cobertas pelo cessar-fogo anunciado na terça-feira por Trump
Israel, que invadiu o Líbano no mês passado paralelamente à guerra contra o Irã para erradicar o grupo armado Hezbollah, aliado de Teerã, diz que suas ações no país não estão cobertas pelo cessar-fogo anunciado na terça-feira por Trump
Foto: Getty Images
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se