O papa Leão XIV afirmou neste domingo (7) que palavras e imagens compartilhadas nas redes sociais podem causar feridas, aprofundar divisões ou, ao contrário, contribuir para a construção de uma sociedade mais humana e solidária.
A declaração foi feita durante o encontro "Conectando-se com o Mundo da Cultura, Arte, Economia e Esporte", realizado na Movistar Arena, em Madri.
Segundo o Pontífice, toda forma de comunicação carrega consequências e exige responsabilidade. "Nas diversas áreas da atividade humana, devemos prestar atenção à linguagem que usamos: escrita, falada e, no mundo digital, até mesmo em imagens, porque a comunicação nunca é neutra", afirmou.
O Papa destacou que as mensagens transmitidas podem "ferir ou curar, destruir expectativas ou abrir novos horizontes, semear divisão ou reacender a esperança na possibilidade de construirmos juntos algo genuinamente humano".
O líder da Igreja Católica defendeu um diálogo entre instituições baseado na dignidade humana e ressaltou que universidades, empresas, artistas, esportistas e desenvolvedores de tecnologia devem assumir responsabilidades sociais em suas respectivas áreas de atuação.
Segundo Robert Prevost, as universidades não devem se afastar do mundo do trabalho nem renunciar à busca da verdade, enquanto as empresas precisam evitar tratar os funcionários apenas como fatores econômicos.
Da mesma forma, Leão XIV defendeu que a arte deve ser acessível a todos, o esporte não pode ser reduzido a espetáculo ou negócio, e o progresso tecnológico deve considerar os idosos, os pobres e aqueles que não têm voz.
Em sua mensagem ao setor esportivo, o Papa destacou o papel educativo das competições. "Quantos de nós aprendemos a respeitar nossos adversários no campo de jogo, em vez de ouvindo um discurso", afirmou.
Ele acrescentou que muitos atletas ensinam valores essenciais, como "perder sem odiar, vencer sem humilhar e levantar depois de cair".
Durante o mesmo encontro, o Papa também manifestou preocupação com a exclusão social e econômica de milhões de pessoas ao redor do mundo.
"Quero me perguntar em voz alta: quem é excluído apesar de suas virtudes e capacidades?", questionou. Segundo ele, a situação dos mais pobres continua sendo um desafio permanente para governos, instituições econômicas e para a própria Igreja.
Por fim, o Pontífice citou sua recente encíclica Magnifica Humanitas ao afirmar que "as estruturas econômicas e institucionais são justas somente na medida em que servem ao desenvolvimento integral da pessoa e promovem a participação responsável de todos".