Papa defende arte humana diante do avanço da inteligência artificial

Leão XIV alertou que 'falta aos algoritmos a centelha do humano'

2 out 2026 - 15h04
(atualizado às 15h19)
Resumo
Em encontro no Vaticano, o papa Leão XIV defendeu a arte humana frente ao avanço da inteligência artificial, afirmando que os algoritmos carecem da "centelha humana" e diferem ontologicamente da criação real. O pontífice ressaltou que a arte é vital para a Igreja compreender as dores e buscas da humanidade, além de destacar a dignidade inerente a cada pessoa. Ele ainda alertou para os riscos da tecnologia que, ao priorizar padrões prévios, gera uma homogeneização cultural perigosa.

O papa Leão XIV defendeu nesta sexta-feira (2) que a Igreja Católica precisa dos artistas, especialmente diante dos desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial (IA).

Papa recordou projeto realizado na Bienal de Veneza
Papa recordou projeto realizado na Bienal de Veneza
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A declaração foi dada durante um encontro entre o pontífice e um grupo de artistas, promovido em conjunto com o Dicastério para a Cultura, na Sala do Consistório, no Vaticano.

Publicidade

Na ocasião, Leão XIV destacou a importância da criação humana e apontou diferenças fundamentais entre a arte produzida por pessoas e conteúdos gerados por máquinas.

"A Igreja precisa de vocês. Especialmente nesta era da inteligência artificial, quando se torna urgente distinguir a arte humana daquilo que é produzido por máquinas", afirmou o religioso.

Segundo o Papa, "existe uma diferença ontológica ? antes mesmo de uma diferença estética ? entre a arte e o que uma máquina pode gerar por meio de cálculos estatísticos baseados em milhões de imagens criadas por outros"".

"Falta aos algoritmos a centelha humana", declarou.

Publicidade

Robert Prevost também recordou o projeto realizado na prisão de Giudecca, durante a Bienal de Veneza, o qual o falecido papa Francisco visitou. Para ele, a experiência demonstrou que a relação entre arte e realidade social pode acontecer em duas direções.

"Aqueles que o vivenciaram sabem que não se tratava de levar a arte para dentro da prisão, mas de permitir que a prisão ? com sua verdade muitas vezes reprimida ? ensinasse algo à arte e a todos nós", disse.

Ao mencionar os detentos, o líder da Igreja Católica ressaltou a dignidade inerente a cada pessoa. "A pessoa humana possui dignidade simplesmente pelo fato de existir e de ter a eternidade como seu objetivo último; a pessoa é sempre maior do que sua fragilidade ou seus erros", afirmou.

Leão XIV também defendeu que a arte não deve ser vista como um elemento secundário: "A Igreja nunca considerou a arte um mero acessório".

Para o Santo Padre, a produção artística constitui um espaço privilegiado para compreender as experiências humanas. "Para a Igreja, a arte é um espaço fundamental de escuta ? um lugar para aprender sobre as aspirações e as feridas da humanidade, sobre sua sede de beleza, justiça e paz, e sobre sua busca de sentido."

Publicidade

Ao abordar as transformações provocadas pela tecnologia, o Papa comparou a capacidade dos mecanismos de busca com a função exercida pela arte. "Vivemos na era dos mecanismos de busca, que nos oferecem milhares de respostas em uma fração de segundo", afirmou.

No entanto, apesar da velocidade e do alcance dessas ferramentas, o pontífice advertiu que elas tendem a reproduzir conteúdos e preferências já existentes. "Por mais poderosos que sejam, eles apenas refletem o que já existe e tendem a nos dar aquilo que já queremos", disse.

Nesse contexto, Prevost identificou um risco cultural que, segundo ele, vai além da censura tradicional. "Na era da tecnologia e do consumismo, o grande perigo já não é apenas a censura, mas a homogeneização", concluiu. 

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se