Condenada à morte por um assassinato cometido em 1995, Christa Gail Pike sobreviveu a duas injeções letais nesta quarta-feira, 30, segundo informações das autoridades do Tennessee, nos Estados Unidos. Após a administração das duas doses de pentobarbital, ela continua viva, uma falha sem precedentes na história.
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O estado suspendeu as execuções até o fim do ano após a falha médica. Segundo informações da Associated Press (AP), Pike continuou viva e roncando alto após a tentativa de execução, e foi retirada da prisão em uma ambulância, segundo os advogados dela.
Ela foi hospitalizada, mas não há informações sobre o estado de saúde, de acordo com um comunicado da defesa.
Após a falha na execução, o governador do Tennessee, Bill Lee, ordenou uma investigação independente sobre o incidente e suspendeu novas execuções até o fim deste ano. Apenas uma outra pena de morte estava prevista.
Pike, de 50 anos, deveria ter sido executada às 10h de quarta-feira, após ser condenada pelo assassinato que cometeu aos 18 anos. Ela seria a primeira mulher executada no Estado em mais de 200 anos. Um tribunal de apelações suspendeu a injeção letal apenas uma hora antes do horário previsto, mas horas depois a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a suspensão, conforme a AP.
Os advogados informaram que foram administradas duas doses de pentobarbital na mulher. A diretora do Centro de Informações sobre Penas de Morte, Robin Maher, informou que o caso é “único e sem paralelo”. Outras sete pessoas sobreviveram a problemas médicos decorrentes da incapacidade das equipes de execução de acessar uma veia para administrar os medicamentos, mas que ninguém havia permanecido vivo após receber as drogas usadas nas execuções.
Segundo os advogados de Pike, a condenada já havia manifestado preocupações. “Não sentimos satisfação em estar certos, mas as preocupações levantadas pela senhora Pike se mostraram verdadeiras: acesso venoso difícil, veias rompidas, pentobarbital degradado, ausência de atendimento médico de emergência quando as coisas inevitavelmente dão errado, tudo isso sob um protocolo que continua envolto em sigilo”, disseram à AP.
Testemunhas acompanharam execução
Testemunhas que observaram a execução em uma sala separada disseram que as autoridades abriram as cortinas às 19h27, mostrando Pike presa à maca. Ela continuou acordada e, em determinado momento, levantou a cabeça e perguntou se seu braço deveria estar “daquela forma”. Não ficou claro a que ela se referia.
Por volta das 20h26, a segunda dose do medicamento foi administrada. Christa foi ouvida roncando atrás da cortina fechada até que o microfone foi desligado às 20h53. Nesse momento, foi anunciado que as testemunhas da imprensa seriam escoltadas para fora.
No momento, não foram divulgadas informações sobre o que havia acontecido. Os advogados apresentaram na mesma noite um pedido emergencial à Suprema Corte para interromper imediatamente a execução, alegando que ela estava sofrendo uma “agonia desnecessária” e que seu direito de não ser submetida a punições cruéis e incomuns estava sendo violado.
Eles também protocolaram pedidos ao Tribunal de Apelações do Sexto Circuito e em um tribunal distrital, afirmando que o Departamento de Correções deveria tomar medidas para salvar a vida da condenada. A falha em fornecer o atendimento constitui “indiferença deliberada diante de necessidades médicas legítimas e graves”, diz a petição.
Entenda o caso
Pike e o namorado foram condenados por esfaquear e espancar até a morte Colleen Slemmer, de 19 anos, colega deles em uma instituição de treinamento profissional em Knoxville, em 1995. O caso ficou conhecido porque um pentagrama foi gravado no corpo da vítima. Outros elementos do crime criaram temores sobre cultos satânicos durante o chamado “pânico satânico” das décadas de 1980 e 1990.
O assassinato abalou a cidade de Knoxville. Segundo os promotores, Pike, temendo que Slemmer estivesse tentando roubar seu namorado, atraiu a jovem para uma área de mata em 12 de janeiro de 1995. Pike feriu Slemmer com um estilete e a espancou com um pedaço de concreto. Shipp, namorado de Pike, admitiu ter sido ele quem gravou o pentagrama no corpo da vítima, segundo informações da Deutsche Welle (DW).
Shipp tinha 17 anos quando o crime ocorreu e recebeu pena de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Pike foi a única condenada à morte.
Após o assassinato, Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático. Em seu pedido de clemência, ela afirmou que pretendia apenas brigar com Slemmer, mas acabou matando-a num ataque de fúria quando não conseguiu mais "pisar no freio".
Essa foi a segunda vez neste ano que o Tennessee não conseguiu realizar uma execução. Em maio, Tony Carruthers também teve a execução cancelada após mais de uma hora de tentativas, sem sucesso, de conseguir acesso intravenoso para administrar o pentobarbital.