O líder árabe de esquerda Sami Abu Shehadeh retirou sua candidatura eleitoral em Israel após a Suprema Corte indicar sua desqualificação. A medida ocorreu após ele classificar o ataque do Hamas de 7 de outubro como um "importante evento histórico", fala repudiada pelos juízes. Shehadeh negou apoiar o atentado e denunciou dois pesos e duas medidas contra a minoria árabe, enquanto a extrema-direita celebrou o veto na primeira eleição do país desde o início do conflito em Gaza.
O líder de um partido árabe de esquerda desistiu da disputa eleitoral em Israel após a Suprema Corte indicar sua provável desqualificação por causa de um artigo em que descreveu os ataques liderados pelo Hamas, em 7 de outubro de 2023, como um "importante evento histórico".
Sami Abu Shehadeh negou que suas declarações significassem um endosso ao ataque perpetrado por combatentes que mataram 1.200 pessoas e levaram 251 reféns para Gaza no dia mais sangrento da história de Israel. O ataque precipitou a ofensiva israelense contra Gaza, na qual cerca de 74.000 palestinos foram mortos.
A Comissão Eleitoral Central de Israel havia tentado proibir Shehadeh de concorrer às eleições, juntamente com quatro partidos que buscavam representar a minoria árabe de 20% da população israelense e Ofer Cassif, parlamentar judeu comunista que apoia as causas palestinas.
Em decisão nesta sexta-feira, o tribunal derrubou as demais proibições, mas afirmou que uma maioria dos juízes provavelmente teria votado por manter a proibição contra Shehadeh, antes de ele retirar sua candidatura, tornando a questão sem objeto. Segundo o tribunal, os magistrados concordaram por unanimidade que as declarações de Abu Shehadeh foram "dolorosas, perturbadoras e repugnantes".
Abu Shehadeh disse à Reuters que a decisão ilustra que "no Estado judeu, existem duas leis diferentes para os cidadãos, de acordo com sua identidade", afirmando que figuras da extrema-direita judaica não foram impedidas de concorrer, apesar de comentários que equivalem a discurso de ódio contra os palestinos.
"As margens para a atividade política e para a liberdade de expressão da minoria árabe-palestina em Israel estão se tornando cada vez mais estreitas", disse.
O ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, foi autorizado a concorrer apesar de uma condenação anterior por incitação ao ódio racial. Ele disse que seu movimento "Poder Judaico" havia "conseguido afastar Sami Abu Shehadeh e impedi-lo de entrar no Knesset".
"Não permitiremos que apoiadores do terrorismo e aqueles que exaltam mártires atuem livremente no Knesset de Israel."
A eleição de 27 de outubro é a primeira em Israel desde o ataque liderado pelo Hamas e a guerra em Gaza que se seguiu. A coalizão governista de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu utilizou imagens de líderes de partidos árabes em material de campanha, em táticas que, segundo críticos, equivalem a demonizar os árabes israelenses para conquistar votos.
Em uma mensagem sarcástica no X, o proeminente opositor de Netanyahu, Gadi Eisenkot, expressou condolências pela desqualificação do "aliado" do primeiro-ministro, em uma referência ao papel que o fomento do medo em relação aos árabes israelenses tem desempenhado na campanha de Netanyahu, segundo opositores.