Os Estados Unidos e o Irã firmaram um acordo de paz temporário de duas semanas na noite de terça-feira, 7, após o governo Trump ameaçar impor um “ultimato” caso os líderes iranianos não aceitassem um cessar-fogo. No entanto, a fragilidade do acordo ficou evidente já na manhã desta quarta-feira, 8, com ataques registrados em ilhas iranianas e no Líbano. O acordo em questão tem como base dez tópicos elencados pelo Irã, mas o cenário segue incerto. Entenda mais sobre os pontos de indefinição e divergência.
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Os países concordaram em cessar-fogo por duas semanas enquanto, em contrapartida, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz, via marítima fundamental para o mercado de petróleo. Para isso, o Irã exigiu que dez pontos fossem seguidos. Conforme divulgado por representantes iranianos, os pontos são:
- Garantia de que não haverá novos ataques contra o Irã;
- Continuação do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz;
- Aceitação do programa de enriquecimento de urânio;
- Suspensão de todas as sanções primárias;
- Suspensão de todas as sanções secundárias;
- Rescisão de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
- Rescisão de todas as resoluções do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
- Pagamento de indenização ao Irã;
- Retirada das forças de combate dos EUA da região; e
- Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive contra a heroica Resistência Islâmica do Líbano.
Por mais que o governo iraniano tenha confirmado que o acordo teve como base estes tópicos, e que o próprio Donald Trump tenha confirmado que receberam a proposta – que chamou de “base viável para a negociação” –, nesta quarta, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, mudou o discurso.
"O plano de 10 pontos apresentado pelos iranianos era fundamentalmente ridículo e inaceitável e foi completamente rejeitado por Trump”, disse Leavitt durante coletiva de imprensa em Washington. De todo modo, a ideia é que negociações aconteçam na sexta-feira, 10.
O Estreito de Ormuz segue sendo um tópico de disputa. Desde o início do conflito no dia 28 de fevereiro, o Irã fechou o Estreito de Ormuz, o que paralisou cerca de 97% do tráfego comercial de combustíveis e elevou o preço da gasolina e do diesel em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil.
Os Estados Unidos querem que o canal seja liberado para livre circulação, sem quaisquer limitações ou pedágios. Já o Irã segue firme na condição de manter o controle do tráfego. Com o cessar-fogo, o estreito chegou a ser reaberto, mas novos ataques fizeram com que o Irã fechasse Ormuz novamente após poucas horas. Para eles, a trégua foi violada.
Essas violações também dão tom ao cenário de instabilidade. Segundo informações divulgadas pelas mídias estatais do Irã, o dia começou com explosões próximo a uma refinaria de petróleo na ilha de Lavan, no Golfo Pérsico, e na ilha de Siri, mais a sudeste, perto da entrada para o Estreito de Ormuz.
A Companhia Nacional Iraniana de Refino e Distribuição de Petróleo confirmou o ataque à refinaria, que disse ter sido alvo de um ataque inimigo. A instalação teria sido atingida por volta das 10h no horário local, mas não foi feita uma acusação sobre quem seria o autor do ataque.
O porta-voz militar israelense Tenente-Coronel Nadav Shoshani foi perguntado sobre o caso e negou qualquer participação de Israel. "Não estivemos envolvidos", disse.
O Líbano também foi alvo após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contrariar o anúncio de um dos mediadores do conflito, o Paquistão, de que todos os ataques seriam interrompidos. Para Netanyahu, no entanto, o cessar-fogo acordado com Irã e EUA não envolveria os libaneses. Até o momento, são os ataques de Israel ao Líbano que mais ameaçam a continuidade do acordo de cessar-fogo.
Para o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, três cláusulas-chave da proposta foram violadas. Para além do ataque ao Líbano, ele também cita a entrada de um "drone invasor" no espaço aéreo iraniano e a negação do direito do Irã ao enriquecimento de urânio – que fazia parte do acordo, mas que Trump segue dizendo que não ocorrerá.
O urânio é um dos principais tópicos do conflito, pois o governo Trump alega que um dos motivos do início da guerra é impedir que o Irã desenvolvesse uma arma nuclear, o que o país nega.
*Com informações de Ansa e Reuters