Os ataques israelenses contra o Líbano nesta quarta-feira, 8, deixaram ao menos 254 mortos e mais de 830 feridos, segundo dados preliminares divulgados pela Defesa Civil do país, que segue mobilizada no atendimento e resgate das vítimas.
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A ofensiva representa a maior onda de bombardeios de Israel contra o grupo xiita Hezbollah desde que o Líbano foi envolvido no conflito no Oriente Médio, em 2 de março, colocando em risco o cessar-fogo de duas semanas firmado entre Estados Unidos e Irã.
"O Ministério da Saúde Pública ressalta que, neste momento, a prioridade é a realização das operações de socorro e o salvamento de pessoas que ainda estão presas sob os escombros, bem como a garantia de atendimento médico a todos os feridos, por meio de sua distribuição entre os hospitais, de acordo com a gravidade de cada caso", informou o Ministério da Saúde do Líbano.
🇮🇱🇱🇧 | Un ataque aéreo israelí arrasó un edificio en Beirut, Líbano. pic.twitter.com/CiX1zaJ3GJ
— Alerta Mundial (@AlertaMundoNews) April 8, 2026
O resultado de um ataque israelense hoje contra Beirute. Os israelenses afirmam que o cessar-fogo não inclui o Líbano e que, por isso, os ataques contra o Hezbollah prosseguirão, mas o Irã disse que se os ataques continuarem, voltarão a lançar mísseis e drones contra território… pic.twitter.com/1JIMzfIYoa
— Hoje no Mundo Militar (@hoje_no) April 8, 2026
Atuando como mediador nas negociações, o governo do Paquistão afirmou na última terça-feira, 7, que a trégua também incluiria o território libanês. Ainda assim, Tel Aviv deixou claro que não pretende interromper as operações militares no país árabe.
Com a mobilização de 50 caças, a ofensiva israelense lançou cerca de 160 bombas contra 100 alvos em apenas 10 minutos, segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), atingindo "centros de comando do Hezbollah e outras infraestruturas militares" em Beirute, no Vale do Beqaa e no sul do Líbano. O comunicado acrescenta que mais de 100 centros de comando e instalações militares consideradas terroristas foram atacados, e um comandante relevante do grupo foi morto.
Entre os alvos, conforme as IDF, estavam escritórios utilizados para planejar "ataques contra tropas e civis israelenses". "Este é o golpe concentrado mais duro que o Hezbollah sofreu desde a operação dos pagers [em 2024]", afirmou o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz.
Em resposta, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, acusou Israel de "continuar expandindo sua agressão, mirando áreas residenciais densamente povoadas e tirando a vida de civis desarmados em várias partes" do país.
De acordo com a Reuters, na capital libanesa, testemunhas relataram "cenas apocalípticas", enquanto fontes médicas apontaram a presença de diversos corpos nas ruas de Beirute.
Cessar-fogo em risco
Durante entrevista à emissora PBS, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Líbano "não está incluso no acordo" de cessar-fogo com o Irã. "Está tudo bem, é só uma escaramuça que vamos resolver", disse.
Já de acordo com o jornal americano The Wall Street Journal, representantes iranianos alertaram que a participação nas negociações previstas para sexta-feira, 10, em Islamabad, no Paquistão, dependerá de um cessar-fogo no Líbano.
A agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, informou que o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz foi novamente interrompido e que Teerã considera retomar os bombardeios contra Israel caso não haja trégua no país árabe.
Enquanto o gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou "de forma veemente" os ataques israelenses no Líbano e a "perda de vidas civis".