Os partidos de oposição na Itália reagiram com forte indignação nesta quarta-feira (27) após o governo da premiê Giorgia Meloni antecipar para 26 de junho a apresentação de uma nova reforma eleitoral na Câmara dos Deputados.
O projeto prevê a introdução de um bônus de cadeiras que, segundo críticos, poderia garantir uma vantagem decisiva ao bloco vencedor das eleições.
A oposição afirma que a medida distorce o equilíbrio do sistema eleitoral e favorece artificialmente a maioria governista, liderada por Meloni, apontada pelas pesquisas como provável candidata à reeleição nas eleições previstas para o outono do próximo ano.
O agendamento acelerado do texto intensificou o confronto político. Após uma reunião de líderes parlamentares que durou mais de uma hora, representantes da oposição partiram para o ataque, acusando o governo de tentar impor mudanças estruturais nas regras do jogo eleitoral sem debate adequado.
"É mais uma tentativa de uma maioria obcecada em mudar as regras do jogo", afirmou Chiara Braga, do Partido Democrático (PD), ao criticar o que considera uma estratégia unilateral do governo.
Já Riccardo Ricciardi, do Movimento 5 Estrelas (M5S), declarou que o processo carece de transparência: "É a primeira lei eleitoral aprovada com comunicados à imprensa. Não há limites para o pior, não podemos aceitar esse tipo de abordagem."
Na mesma linha, Riccardo Magi, do partido +Europa, afirmou que o governo trata a proposta como um procedimento acelerado: "Eles estão tratando isso como um decreto para limitar o prazo." Por sua vez, Marco Grimaldi, da Aliança Verde, criticou o estágio preliminar do texto e prometeu resistência institucional: "Dissemos ao presidente que isso é inaceitável.
Nas próximas semanas, continuaremos a instar todas as instituições a não ultrapassarem os limites." A oposição também rejeita outro plano do governo que prevê a eleição direta do primeiro-ministro da Itália pelo voto popular, embora a proposta tenha sido colocada em espera após recentes rejeições eleitorais a reformas institucionais no país.