Operações de resgate avançam lentamente enquanto número de mortos no Nepal e na China aumenta

As operações de resgate avançam lentamente neste domingo (30) no Nepal e na China, em meio a condições perigosas. Equipes tentam localizar sobreviventes quatro dias após as inundações devastadoras que deixaram cerca de 760 mortos. Mais de 3 mil pessoas continuam desaparecidas, e as esperanças de encontrar sobreviventes sob a lama e os escombros diminuem.

30 ago 2026 - 07h56
Resumo
O colapso de uma geleira no Himalaia gerou enxurradas devastadoras que deixaram ao menos 768 mortos e mais de 3 mil desaparecidos no Nepal e na China. Equipes internacionais enfrentam condições perigosas para tentar resgatar cerca de 100 trabalhadores presos em um túnel. Com sepultamentos iniciados por razões sanitárias, o Nepal apela por ajuda humanitária bilionária, enquanto autoridades e cientistas alertam que a tragédia é reflexo do agravamento das mudanças climáticas globais.

Em uma área profundamente devastada pela enorme enxurrada provocada pelo colapso de uma geleira do Himalaia, as equipes de resgate são obrigadas a trabalhar sob a ameaça constante de novos desastres naturais.

Membros do Exército do Nepal, vestindo trajes de proteção, transferem um corpo para um centro de armazenamento temporário, em Bharatpur, Chitwan, Nepal, em 30 de agosto de 2026.
Membros do Exército do Nepal, vestindo trajes de proteção, transferem um corpo para um centro de armazenamento temporário, em Bharatpur, Chitwan, Nepal, em 30 de agosto de 2026.
Foto: REUTERS - Navesh Chitrakar / RFI

Neste domingo, as autoridades nepalesas voltaram a pedir cautela devido a uma nova elevação do nível das águas do rio Bhotekoshi, que transbordou na quarta-feira após a avalanche de rocha e gelo.

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No entanto, com o uso de perfuradoras e escavadeiras, as equipes de resgate conseguiram chegar neste domingo à entrada de um túnel no canteiro de obras da hidrelétrica Trishuli-3, onde as autoridades acreditam que cerca de 100 trabalhadores estejam presos desde o desastre.

"Quatro rotas de acesso foram abertas. Preparativos estão em andamento para entrar diretamente no túnel e realizar operações de busca e resgate", informou o Ministério da Energia.

As equipes de resgate, compostas por cerca de 80 nepaleses e agora auxiliadas por especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul, estão no local desde sexta-feira (28), mas foram forçadas a suspender as operações no sábado devido à chuva e à elevação do nível da água.

3 mil desaparecidos

Do lado chinês, socorristas que atuavam no Tibete foram transferidos para um local seguro após um deslizamento de terra criar uma nova represa natural, informou a imprensa estatal.

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Segundo dados oficiais, ainda considerados muito provisórios neste domingo, um total de 768 corpos, sendo 752 no lado nepalês e 16 no lado tibetano, foi recuperado desde quarta-feira da espessa camada de lama e dos destroços de edifícios, estradas, pontes e canteiros de obras arrastados pela enxurrada.

Apesar das centenas de pessoas já resgatadas, as autoridades dos dois países continuam sem notícias de mais de 3 mil desaparecidos, sendo 2.502 no Nepal e 546 na China.

"As pessoas estão desesperadas para encontrar familiares, vivos ou mortos, mas simplesmente não conseguimos. Olhe para toda essa lama", disse à AFP Kawan Koirala, socorrista da defesa civil do Nepal.

Ao longo do domingo, familiares dos desaparecidos continuaram a se aglomerar na sede das operações de resgate, na cidade de Bidur, e em hospitais de Katmandu, em busca de qualquer informação.

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Quatro dias após o desastre, as autoridades nepalesas autorizaram, no domingo, o sepultamento das primeiras vítimas, após a coleta de amostras de DNA para permitir que as famílias identifiquem, realizem a cremação e, posteriormente, exumem os corpos, em conformidade com a tradição hindu.

"Muitos corpos foram recuperados e já começaram a se decompor", explicou à imprensa Amrit Bahadur Rai, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores. "Por razões de saúde pública, fomos obrigados a sepultá-los."

Solidariedade internacional para reconstrução

Embora ainda seja cedo para uma avaliação precisa, o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, estima o custo da reconstrução em "vários bilhões de dólares" e faz um apelo à solidariedade internacional.

Seguindo o exemplo da União Europeia e de outros países, os Estados Unidos anunciaram no sábado a liberação de US$ 3,6 milhões em ajuda humanitária para o Nepal.

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Especialistas e cientistas atribuem o desastre ao colapso de uma enorme geleira, que transformou instantaneamente um rio antes tranquilo em uma torrente devastadora.

"O aquecimento global torna tragédias como esta, e tantas outras ao redor do mundo, muito mais prováveis, frequentes e severas", alertou Simon Stiell, chefe da divisão de Mudanças Climáticas da ONU.

"O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa e, ainda assim, está entre as principais vítimas das mudanças climáticas", enfatizou o ministro Shisir Khanal. "Esta luta deve ser de todos."

Com AFP

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