Operação internacional desvenda rede virtual de violência sexual como de caso Pelicot

Investigações em sete países levaram à prisão de 57 abusadores

6 jul 2026 - 16h06
(atualizado às 17h21)

Uma operação internacional conduzida pela Alemanha e Reino Unido e envolvendo autoridades de sete países, incluso o Brasil, identificou mais de 155 vítimas de violência sexual de seus próprios companheiros, crime potencializado pelo uso de sedativos e pela difusão virtual.

Gisèle Pelicot tornou-se um símbolo contra a violência sexual doméstica
Gisèle Pelicot tornou-se um símbolo contra a violência sexual doméstica
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A chamada "Operação Medusa", com apoio da Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol), abriu 274 novas linhas de investigação, levando à identificação de quatro novas comunidades online de caráter misógino dedicadas a esses crimes.

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Os inquéritos em curso já resultaram em 57 prisões e no resguardo de 158 vítimas, com um total de 113 investigações desde abril.

Em nota, a Europol explicou que essa violência - a mesma vivenciada pela francesa Gisèle Pelicot com seu ex-marido - "não é algo isolado", mas "um fenômeno de massa alimentado por dinâmicas de grupos online".

"Os autores, que frequentemente ocupam cargos de autoridade ou de confiança, utilizam serviços de mensagens criptografadas e fóruns fechados para compartilhar experiências, normalizar comportamentos abusivos e facilitar o comércio ilegal de drogas", diz o comunicado.

"Essas comunidades online funcionam como verdadeiras câmaras de eco, onde a objetificação e a desumanização das vítimas são glorificadas", acrescenta a Europol, destacando que "as agressões têm como alvo quase exclusivo as mulheres e, muitas vezes, perduram por anos".

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Além do estupro, a administração de sedativos está sendo tratada pelos investigadores como crime de lesão corporal grave e tentativa de homicídio.

Conduzida por autoridades alemãs e britânicas, a Operação Medusa contou com participação ativa de forças de ordem do Brasil, França, Espanha, Canadá, Hungria e Estados Unidos. A Europol assegurou o cruzamento de dados em tempo real e suporte avançado em Inteligência de Fontes Abertas (Osint), permitindo que os países participantes aprimorassem suas investigações com as informações operacionais mais atualizadas.

Por cerca de uma década, a francesa Gisèle Pelicot sofreu diversos abusos sexuais do então marido Dominique, que a dopava, convidando outros homens a participarem do crime. Ele foi condenado a 20 anos de cárcere. 

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