A Europa enfrenta uma nova e intensa onda de calor, com temperaturas excepcionalmente elevadas, alertas de risco à saúde e aumento dos incêndios florestais em diferentes países.
A atual massa de ar quente de origem norte-africana segue uma trajetória mais ao leste do continente, atingindo com maior força a Península Ibérica e também provocando condições extremas na Itália, França, Reino Unido e Alemanha.
Diferentemente de episódios anteriores, quando o anticiclone africano atingiu a Itália de forma mais limitada, a configuração atual favorece uma expansão mais ampla do calor, elevando o número de regiões sob alertas vermelhos e laranjas.
No território italiano, Florença e Perugia permanecem sob alerta vermelho até quarta-feira (15), indicando condições meteorológicas capazes de representar perigo para a saúde da população.
A partir de 15 de julho, Bolonha, Brescia, Frosinone, Roma e Turim também devem entrar na lista de áreas sob maior risco.
O boletim mais recente do Ministério da Saúde da Itália aponta ainda alerta laranja ? associado a possíveis efeitos negativos principalmente para idosos, crianças e pessoas vulneráveis ? em cidades como Cagliari, Campobasso, Latina, Milão, Pescara, Rieti, Trieste, Verona e Viterbo.
Segundo o meteorologista Federico Brescia, do iLMeteo.it, a Itália deve enfrentar uma semana de calor intenso e estabilidade atmosférica, com a massa de ar quente africana avançando diretamente sobre o país.
"As temperaturas máximas variarão entre 39°C e 41°C em muitas áreas do centro e sul da Itália e em toda a Sardenha", afirmou o especialista.
Em algumas regiões, o calor poderá atingir níveis extraordinários. A previsão indica máximas de cerca de 39°C em Florença e 38°C em Roma. No norte italiano, o calor será acompanhado por alta umidade, com o Vale do Pó podendo registrar entre 37°C e 38°C durante as tardes.
As projeções meteorológicas indicam pouca possibilidade de alívio ao longo da semana. Uma breve redução das temperaturas pode ocorrer entre sexta-feira e sábado no norte do país, com maior instabilidade e possibilidade de tempestades isoladas. No restante da península, o predomínio será de sol e calor intenso.
Na França, a floresta de Fontainebleau, localizada ao sudeste de Paris, foi atingida por um incêndio descrito pelas autoridades como de "proporções excepcionais".
O combate mobilizou uma grande operação de emergência na região de ×le-de-France. O tráfego ferroviário chegou a ser interrompido devido ao avanço das chamas e à fumaça intensa.
Uma coluna de fumaça podia ser vista a dezenas de quilômetros de distância. Bombeiros utilizaram estradas estreitas dentro da área florestal para tentar controlar o fogo, enquanto agricultores ajudaram levando água em tanques acoplados a tratores.
Apesar dos pedidos das equipes de emergência para que moradores permanecessem em casa devido à fumaça, muitas pessoas acompanharam o trabalho dos bombeiros nas proximidades.
No Reino Unido, a terceira onda de calor extremo do ano já dura cerca de uma semana e levou à ampliação dos alertas para quase toda a Inglaterra e o País de Gales.
O Met Office, serviço meteorológico britânico, informou que as altas temperaturas devem continuar durante grande parte da semana, com máximas superiores a 30°C em várias regiões.
O calor também contribuiu para novos incêndios. O maior deles ocorre na região montanhosa de Conwy, no norte do País de Gales, onde centenas de moradores precisaram ser retirados de comunidades rurais.
Outros focos foram registrados em áreas da Inglaterra, incluindo Grande Manchester, Hampshire, Condado de Durham, Derbyshire, East Sussex, West Sussex, Devon, Somerset e uma região próxima ao leste de Londres.
Enquanto isso, especialistas avaliam os impactos das ondas de calor anteriores, especialmente as registradas em maio e junho.
Estudos do Met Office, do Imperial College London e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres estimam que o calor extremo tenha contribuído para até 2.700 mortes adicionais na Inglaterra e no País de Gales.
Já na Alemanha, a onda de calor do mês passado teve um impacto direto no número de mortes em ambientes aquáticos. Segundo a Sociedade Alemã de Salvamento Aquático (DLRG), pelo menos 99 pessoas morreram afogadas em junho, o maior número registrado para esse mês em mais de duas décadas.
O último episódio semelhante ocorreu durante o verão extremo de 2003, quando 107 mortes foram registradas. .