OMS alerta para alto risco de disseminação do Ebola na República Democrática do Congo e outros países

O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) está avançando mais rapidamente do que qualquer epidemia anterior da doença e corre o risco de se espalhar para outros países, alertou nesta terça-feira (18) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

18 ago 2026 - 13h58

"Precisamos ser francos: a epidemia está longe de estar sob controle", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma reunião de emergência sobre o surto. "Ela teve uma grande vantagem inicial, e ainda estamos tentando alcançá-la."

A declaração foi feita depois de a RDC informar, na segunda-feira, que o surto havia provocado mais de 2.300 mortes entre quase 5.000 casos, tornando-se o mais letal da história do país.

Publicidade

Declarado em 15 de maio, o 17º surto de Ebola na RDC provavelmente já estava se espalhando havia várias semanas naquele momento. O surto atingiu regiões do norte e do leste do país onde a presença do Estado é limitada, a infraestrutura de saúde é escassa e inúmeros grupos armados atuam há décadas.

O surto "está sendo alimentado pela insegurança e pelo deslocamento de pessoas, além da intensa movimentação populacional por estradas, rios e rotas de mineração", afirmou Tedros, segundo a transcrição de suas declarações.

Passageiros de barco interceptado pelas autoridades sanitárias aguardam para serem testados após a morte de uma pessoa a bordo com suspeita de ebola, em Kinshasa, na República Democrática do Congo, em 6 de agosto de 2026.
Passageiros de barco interceptado pelas autoridades sanitárias aguardam para serem testados após a morte de uma pessoa a bordo com suspeita de ebola, em Kinshasa, na República Democrática do Congo, em 6 de agosto de 2026.
Foto: RFI

Velocidade sem precedentes

O vírus, que se espalha pelo contato com fluidos corporais e provoca uma febre hemorrágica, "está avançando mais rapidamente do que qualquer surto anterior de Ebola", alertou.

Três meses após a declaração do surto, foram registrados na RDC sete vezes mais casos e cinco vezes mais mortes do que nos primeiros três meses do maior surto de Ebola da história, segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC).

Publicidade

Aquele surto atingiu a África Ocidental entre 2013 e 2016 e matou mais de 11.300 pessoas, principalmente na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné.

Um surto ocorrido na RDC entre 2018 e 2020, até então considerado o mais letal do país, matou 2.299 pessoas entre 3.381 casos confirmados, segundo dados da OMS baseados em informações congolesas.

Esta foi a segunda reunião do comitê de emergência da OMS desde que, em maio, a organização declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, seu segundo nível de alerta mais elevado.

Ainda não estava claro quando o comitê divulgaria suas recomendações.

Alto risco de disseminação na RDC

Atualmente, a agência de saúde da ONU classifica o risco para a saúde pública como "muito alto" em nível nacional na RDC, "alto" para Uganda e outros países vizinhos e "baixo" para o restante da África e do mundo.

Até o momento, foram registrados casos em seis províncias da RDC, inclusive perto da fronteira com o Sudão do Sul, além de casos no vizinho Uganda. "O risco de uma maior disseminação nacional e internacional continua alto", insistiu Tedros.

Publicidade

Não existe atualmente uma vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual aumento dos casos de Ebola, embora ensaios clínicos estejam em andamento.

O diretor da OMS afirmou que sua maior preocupação é "onde as pessoas estão morrendo: em casa, em suas comunidades, fora dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos".

"Cada morte desse tipo aponta para uma cadeia de transmissão que ainda não encontramos", disse, alertando que "até que todas as cadeias sejam encontradas e interrompidas, a epidemia continuará".

Em uma entrevista coletiva nesta terça-feira, o especialista da OMS Thierno Balde descreveu os esforços para ampliar e descentralizar a resposta, aproximando-a das comunidades onde o vírus está se espalhando.

Publicidade

Entre outras medidas, ele afirmou que a organização busca proteger melhor os mototaxistas que transportam pacientes e integrá-los ao sistema de vigilância.

"A OMS e seus parceiros esperam observar um impacto da ampliação da resposta nos próximos meses, mas não podem estabelecer um prazo para quando a epidemia estará sob controle", disse aos jornalistas em Genebra, falando de Bunia.

com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se