O interesse dos EUA na Groenlândia e seus minerais valiosos

A Groenlândia chama atenção mundial nas últimas décadas por causa de suas riquezas naturais, de sua posição geográfica estratégica e das mudanças climáticas que alteram o Ártico.

14 jan 2026 - 10h01

A Groenlândia chama atenção mundial nas últimas décadas por causa de suas riquezas naturais, de sua posição geográfica estratégica e das mudanças climáticas que alteram o Ártico. O território, que integra o Reino da Dinamarca, atrai o interesse de grandes potências. Entre elas, destacam-se os Estados Unidos, que observam na ilha uma combinação de recursos minerais valiosos, oportunidades de navegação e importância militar.

Quando o então presidente Donald Trump manifestou interesse em comprar ou anexar a Groenlândia, em 2019, a proposta gerou repercussão internacional. A Dinamarca rejeitou a ideia, assim como as autoridades locais. Ainda assim, o episódio evidenciou a relevância geopolítica e econômica da ilha. Além disso, a discussão expôs ao público um cenário que governos, empresas e especialistas em energia, mineração e segurança internacional já monitoravam com atenção.

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Groenlândia – depositphotos.com / dibrova
Groenlândia – depositphotos.com / dibrova
Foto: Giro 10

O interesse dos EUA na Groenlândia e seus minerais valiosos

A principal palavra-chave nesse debate é riquezas minerais da Groenlândia. Sob o gelo que cobre grande parte do território, existem reservas de terras raras, zinco, chumbo, cobre, urânio, ouro e outros metais estratégicos. As terras raras, em particular, sustentam a produção de tecnologia de ponta, como smartphones, baterias, turbinas eólicas, satélites e sistemas militares de alta precisão. Em um cenário de disputa por cadeias de suprimento mais seguras, a Groenlândia surge como alternativa às reservas concentradas em poucos países.

Além dos minerais, o derretimento do gelo no Ártico abre possibilidade de exploração de petróleo e gás natural em áreas antes inacessíveis. Contudo, parte da população local resiste a esses projetos e levanta preocupações ambientais. Apesar disso, essas potenciais reservas energéticas entram no cálculo estratégico dos Estados Unidos e de outras potências. Em paralelo, a mudança no gelo marinho tende a facilitar rotas marítimas e de abastecimento. Assim, a região ganha ainda mais peso econômico e logístico.

Por que a Groenlândia é tão importante para os EUA?

O interesse norte-americano na Groenlândia não começou recentemente. Desde a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos mantêm presença militar na ilha, com destaque para a Base Aérea de Thule.

No campo econômico e tecnológico, o acesso direto aos minerais valiosos da Groenlândia reforça o interesse dos Estados Unidos em diminuir dependências externas. A disputa por terras raras e metais críticos integra a agenda de segurança nacional. Dessa forma, uma fonte aliada e relativamente próxima do território norte-americano representa um diferencial importante em comparação a outros fornecedores.

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  • Mineração estratégica: foco em terras raras e metais críticos, com ênfase em cadeias de valor para tecnologia avançada.
  • Energia: possíveis reservas de petróleo e gás no entorno da ilha, somadas ao potencial de energias limpas.
  • Rotas marítimas: novas passagens pelo Ártico encurtam trajetos internacionais e reduzem custos logísticos.
  • Defesa: posição-chave para radares, mísseis, monitoramento espacial e operações no Atlântico Norte.

Quais são as principais riquezas e recursos da Groenlândia?

Quando se fala em principais riquezas da Groenlândia, o destaque recai sobre o subsolo. Entre os recursos mais citados, aparecem:

  • Terras raras: conjunto de elementos químicos usados em ímãs permanentes, eletrônicos, veículos elétricos e equipamentos militares.
  • Zinco e chumbo: aplicados na indústria de construção, em ligas metálicas e em equipamentos de proteção.
  • Cobre: essencial para cabos, motores, infraestrutura elétrica e tecnologias verdes em expansão.
  • Urânio: potencialmente utilizável em usinas nucleares, embora gere debates políticos e ambientais intensos.
  • Ouro e outros metais: explorados em menor escala, mas com interesse crescente de investidores internacionais.

Além da mineração, a Groenlândia possui vasto potencial em recursos pesqueiros, especialmente bacalhau, camarão e outros frutos do mar, que sustentam parte importante da economia local. Ademais, surgem boas perspectivas para o desenvolvimento da energia hidrelétrica, graças aos rios e geleiras. Esse potencial pode fornecer eletricidade limpa para projetos industriais futuros, incluindo a própria mineração e possíveis plantas de processamento.

Como a geopolítica e o clima influenciam a disputa pela ilha?

A importância da Groenlândia mantém relação direta com as mudanças climáticas e com a crescente militarização do Ártico. Com o aquecimento global, o gelo marinho se retrai e abre espaço para novas rotas de navegação e exploração de recursos. Esse processo aumenta o trânsito de navios militares e comerciais na região e envolve países como Estados Unidos, Rússia, Canadá e Noruega, além da presença econômica da China.

Em termos geopolíticos, o interesse dos EUA na Groenlândia se articula com a tentativa de conter avanços de outros atores no Ártico. A ilha se torna peça de um tabuleiro maior, que envolve segurança energética, cadeias de suprimento de minerais e capacidade militar. Ao mesmo tempo, a população groenlandesa discute caminhos de maior autonomia política e preservação ambiental. Assim, o debate busca equilibrar desenvolvimento econômico com proteção do território e do modo de vida tradicional, incluindo comunidades indígenas.

  1. Avaliação das reservas minerais e energéticas, com estudos geológicos e econômicos mais detalhados.
  2. Definição de regras ambientais e de mineração pela Groenlândia e Dinamarca, com participação de comunidades locais.
  3. Negociações comerciais com empresas internacionais, que consideram riscos políticos e climáticos.
  4. Monitoramento militar e diplomático entre grandes potências, com fóruns específicos sobre o Ártico.

O episódio envolvendo o interesse de Donald Trump em adquirir a Groenlândia revelou ao público um processo em andamento: a crescente valorização da ilha como espaço de recursos estratégicos, rota de circulação e ponto de apoio militar. A combinação de minerais valiosos, posição geográfica central no Ártico e mudanças climáticas coloca o território no centro de debates globais sobre energia, segurança e futuro das relações internacionais no extremo Norte do planeta.

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Groenlândia – depositphotos.com / annee88
Foto: Giro 10
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