O colapso de uma geleira no Himalaia provocou inundações e deslizamentos na fronteira entre Nepal e China, deixando mais de 540 mortos e cerca de 1,5 mil desaparecidos. A avalanche de lama e detritos atingiu o Tibete e soterrou vilarejos nepaleses. Equipes de socorro mantêm as buscas enquanto autoridades de ambos os países monitoram riscos de novas tragédias decorrentes de represamentos de rios e danos em barragens, que ameaçam provocar novos transbordamentos.
Subiu para 543 o número de pessoas mortas pelos deslizamentos e pelas inundações repentinas que atingiram a fronteira entre Nepal e China na última quarta-feira (26), enquanto mais de 1,5 mil indivíduos continuam desaparecidos.
Segundo o balanço mais recente divulgado pela Agência Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA), pelo menos 538 corpos já foram encontrados por socorristas no país, cifra que vem aumentando rapidamente.
Ainda de acordo com o órgão, 977 pessoas estão desaparecidas, incluindo 517 cidadãos estrangeiros. A China, por sua vez, confirmou cinco óbitos até o momento, segundo a agência de notícias estatal Xinhua, e 558 indivíduos ainda não puderam ser contatados.
A tragédia foi provavelmente provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia, cordilheira que abriga os picos mais altos do planeta. Um enorme bloco de gelo se desprendeu e arrastou uma massa de detritos, incluindo rochas, árvores e sedimentos, enquanto escorregava montanha abaixo.
Essa avalanche atingiu primeiro o movimentado posto de fronteira de Gyirong, no Tibete, na China, como documentado por imagens impressionantes de câmeras de segurança no local, que mostram a lama encobrindo e derrubando construções. A destruição foi tamanha que socorristas tibetanos conseguiram chegar na área mais devastada pelo deslizamento apenas nesta sexta-feira (28).
A massa de detritos seguiu rumo ao Nepal e provocou a cheia repentina do Bhote Koshi, que deixou diversos vilarejos sob um mar de lama. Muitas pessoas sequer tiveram tempo de fugir.
As operações de busca por desaparecidos seguem a todo o vapor, enquanto autoridades locais estão em alerta para o risco de novos desastres. No Nepal, a polícia divulgou um aviso de que uma barragem nas montanhas está com uma "brecha" e pediu que a população local se abrigue em lugares seguros.
Nepaleses buscam abrigo em lugares altos devido ao risco de novas inundaçõesNa China, as equipes de socorro chegaram a interromper as operações por algumas horas nesta sexta-feira devido ao risco de rompimento de um lago de retenção, ou seja, que foi formado pelo acúmulo de detritos.
Esse lago, segundo o Ministério dos Recursos Hídricos de Pequim, se formou na confluência entre os rios Chhochen Khola e Purepu Tsangpo e já atingiu um volume de cerca de 2 milhões de metros cúbicos, com expectativa de aumentar nas próximas horas devido à previsão de chuva na região.
O presidente Xi Jinping comandou uma reunião da liderança do Partido Comunista para discutir a resposta à tragédia e determinou a intensificação das buscas em Gyirong, bem como o envio de assistência humanitária ao Nepal.