Novo partido de extrema direita na Itália perde terreno com queda em apoio

6 nov 2026 - 09h51
Resumo
O Futuro Nazionale, partido de extrema direita liderado pelo ex-general Roberto Vannacci, perde força nas pesquisas italianas após atingir 9% das intenções de voto. O recuo é impulsionado por disputas internas, deserção de ativistas da base e dificuldade de ampliar a pauta além de temas como imigração e guerra cultural. A perda de fôlego da sigla, antes vista como ameaça à coalizão da premiê Giorgia Meloni para as eleições de 2027, reflete o desgaste da novidade e o retorno de eleitores à direita tradicional.

Pela primeira vez desde o ‌lançamento de seu partido de extrema direita neste ano, o ex-general do Exército da Itália Roberto Vannacci dá sinais de estar perdendo força, com a queda do apoio nas pesquisas e ativistas abandonando-o devido a disputas internas e divergências políticas.

Fundado por parlamentares dissidentes da coalizão do partido Liga, o Futuro Nazionale (FN) vem ⁠corroendo o apoio ao bloco conservador da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, complicando ‌sua tentativa de garantir um segundo mandato nas eleições previstas para 2027.

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Enquanto a coalizão fica atrás da centro-esquerda nas pesquisas, o FN emergiu como ‌o quarto partido mais popular, após meses de ‌rápido crescimento com uma plataforma centrada na deportação de estrangeiros e ⁠na oposição aos direitos LGBTQ. Seus votos podem ser cruciais para as esperanças de Meloni de manter o poder, embora ela tenha, até o momento, descartado qualquer aliança.

No entanto, após atingir um pico de apoio de cerca de 9%, o apoio ao FN diminuiu, com os institutos de pesquisa SWG e Ipsos estimando-o ‌entre 5,8% e 7,9%, e todas as pesquisas recentes apontando para uma tendência ‌de queda.

Analistas afirmam que o ⁠partido está enfrentando ⁠dificuldades para ampliar seu apelo além das questões de segurança e da "guerra cultural". "Vannacci fala ⁠sobre segurança e imigração, mas precisa de ‌uma agenda política mais ‌ampla para consolidar o apoio", disse Antonio Noto, pesquisador da emissora estatal RAI.

A desaceleração ocorre em meio a sinais de dificuldades em outros lugares para a direita populista. O Reform UK, do Reino Unido, perdeu terreno ⁠recentemente nas pesquisas, enquanto seus homólogos em toda a Europa assimilam as implicações do triunfo dos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.

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Vannacci ganhou destaque em 2023 com um livro que defendia o retorno ao que ele descreveu como ‌valores tradicionais, afirmando que estes estavam ameaçados pela cultura do cancelamento "woke". Um ano depois, ele foi eleito para o Parlamento Europeu pela Liga.

Noto disse que ⁠parte do apoio inicial ao FN veio de pessoas que antes não votavam — um grupo volátil que está se afastando à medida que o fator novidade do novo partido se esvai.

"Outro segmento veio da coalizão de centro-direita, com grandes expectativas, mas agora voltou para o seio do partido", disse ele.

Os comitês criados em toda a Itália para angariar apoio a Vannacci tornaram-se uma fonte de tensão nas últimas semanas. Alguns ativistas se retiraram, acusando o partido de marginalizar os apoiadores de base que ajudaram a construir o movimento.

"A queda nas pesquisas se deve às pessoas que decidiram sair por causa da forma como foram tratadas", disse Thomas Orsetti, um ex-ativista da região de Veneto, no norte do país.

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