Norte-americanos duvidam de "era de ouro" econômica citada por Trump, mostra pesquisa Reuters/Ipsos

27 fev 2026 - 12h13

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que ‌a economia do país está em plena expansão e que controlou a inflação, mas a maioria dos norte-americanos, incluindo muitos republicanos, não compartilha dessa visão, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos.

"Esta é a era de ouro da América", disse Trump em seu discurso sobre o Estado da União na terça-feira. "A economia está em plena expansão como nunca antes."

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A mais recente pesquisa Reuters/Ipsos, concluída na segunda-feira, mostrou que 68% das pessoas discordam da afirmação de que "a economia dos EUA está em plena ⁠expansão", uma alegação que Trump vem fazendo repetidamente desde que retornou ao cargo, em janeiro de 2025.

Os republicanos entrevistados na ‌pesquisa estavam fortemente divididos sobre o desempenho da economia, um sinal de alerta às vésperas das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro, quando o partido de Trump defenderá a maioria na Câmara e no Senado. Cerca ‌de 56% dos republicanos acreditam que a economia está em plena expansão, ‌enquanto 43% discordam.

"ESTAMOS COM DIFICULDADES"

Em Dickson, Tennessee, a oeste de Nashville, Marcus Tripp gostaria que Trump priorizasse a ⁠prosperidade do país em vez de seus esforços agressivos para deportar imigrantes sem autorização.

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"Ele precisa se concentrar na economia", disse Tripp, de 53 anos, que trabalha no setor manufatureiro em um distrito representado pelo deputado republicano Matt Van Epps, cuja eleição suplementar no outono passado (no hemisfério norte) acabou sendo mais competitiva do que o esperado, com os democratas se unindo para apoiar o desafiante.

"Mesmo com duas rendas, estamos passando por dificuldades", disse Tripp, que se inclina para o Partido Republicano. "Estou ‌mais preocupado com o aumento do meu aluguel e de tudo o mais do que se o vizinho da rua de ‌baixo tem ou não documentos de cidadania."

Os ⁠norte-americanos entrevistados na pesquisa Reuters/Ipsos ⁠citaram o custo de vida como a principal questão que determinará seu voto nas eleições de meio de mandato, em novembro. Eles ⁠também rejeitaram as afirmações de que o aumento de preços não é ‌mais um problema, uma alegação feita ‌por Trump no mês passado, quando disse que "a inflação foi derrotada" e que os norte-americanos atualmente "praticamente não veem inflação".

Republicanos e democratas começarão a escolher seus candidatos para as eleições de novembro nas primárias que começam na terça-feira no Texas, na Carolina do Norte e em Arkansas.

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PREOCUPAÇÃO COM O CUSTO DE VIDA

Apenas 16% dos entrevistados concordaram com ⁠a afirmação de que "praticamente não há inflação nos EUA".

Oitenta e dois por cento dos entrevistados no geral -- e a mesma porcentagem de independentes -- discordaram, assim como 72% dos republicanos. Os democratas, que se tornaram mais pessimistas em relação à economia desde que Trump retornou à Casa Branca, rejeitaram de forma esmagadora as noções de um boom econômico ou de inflação vencida.

A pesquisa Reuters/Ipsos revelou que muitos norte-americanos desconhecem as ‌políticas e propostas apresentadas por Trump para limitar o aumento do custo de vida.

Cerca de 44% dos entrevistados nunca ouviram falar do plano da Casa Branca, divulgado no mês passado, que visa restringir a compra de casas unifamiliares por ⁠grandes investidores, como empresas de investimento. Quarenta e oito por cento também nunca ouviram falar da proposta de Trump de limitar as taxas de juros dos cartões de crédito a 10%.

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Os norte-americanos estavam consideravelmente mais cientes da principal política econômica de Trump, que consistia em aumentar as tarifas sobre produtos importados, com 78% afirmando ter ouvido falar, pelo menos um pouco, sobre a elevação. Cerca de 54% dos entrevistados -- incluindo 69% dos democratas e 42% dos republicanos -- disseram esperar que as tarifas aumentassem o custo de vida.

"Não estou impressionada com o que está acontecendo internamente", disse Tiffany Ritchie, de Corpus Christi, Texas, sobre a abordagem de Trump à economia. Ritchie, de 50 anos, se considera independente e votou em Trump em 2024. Mas ela vê a caracterização que ele fez da economia como ofensiva e acha que suas políticas podem não funcionar. "Não vamos resolver isso com tarifas."

Muitos economistas esperam que o crescimento econômico acelere modestamente este ano, embora poucos prevejam um boom.

A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online, entrevistou 4.638 adultos nos EUA em todo o país e teve uma margem de erro de dois pontos percentuais.

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