MP conclui inquérito contra fraudes em cidadania italiana para sul-americanos

Esquema teria beneficiado sobretudo pessoas da Argentina

25 jun 2026 - 14h27
(atualizado às 15h17)

O Ministério Público de Arezzo, na Itália, concluiu um inquérito sobre um suposto esquema para fraudar o reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue e facilitar a obtenção do passaporte por parte de sul-americanos, especialmente argentinos.

Esquema se baseava em falsa certificação de residência na Itália
Esquema se baseava em falsa certificação de residência na Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Oito pessoas foram notificadas com o aviso de conclusão das investigações, entre elas o prefeito de Anghiari, Alessandro Polcri, o responsável pela polícia municipal, agentes de fiscalização de residência, funcionários do cartório e um cidadão argentino apontado como organizador do esquema.

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Segundo a acusação, este último cobrava entre 5 mil e 6 mil euros (de R$ 29,5 mil a R$ 35,4 mil) por pessoa para agilizar o processo na prefeitura e para providenciar a moradia temporária necessária para comprovar a residência fictícia na cidade.

As investigações tiveram início em 2022, após a Polícia de Estado registrar um fluxo anômalo de cidadãos argentinos em Anghiari, que tem 5,3 mil habitantes.

Os investigadores apuraram indícios de falsidade ideológica e material em 23 processos de cidadania. Segundo a reconstituição, os solicitantes permaneciam no município apenas o tempo necessário para obter os documentos e depois retornavam ao exterior.

O Ministério Público sustenta que o município de Anghiari teria emitido mais de 200 cidadanias no período, com prazos de tramitação considerados anormalmente rápidos em comparação com outras cidades italianas. O prefeito Alessandro Polcri é investigado por ter assinado os atos de concessão da cidadania.

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Ao longo dos últimos anos, a polícia e o Ministério Público desmantelaram diversas quadrilhas que praticavam corrupção e fraudes nos processos de reconhecimento de cidadania italiana jus sanguinis, especialmente envolvendo brasileiros.

Esse foi um dos motivos que levaram o governo da premiê Giorgia Meloni a aprovar uma medida restringindo o acesso de ítalo-descendentes à cidadania por direito de sangue, agora reconhecida apenas para quem tem um dos pais ou um dos avós nascido na Itália.

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