O Ministério Público de Arezzo, na Itália, concluiu um inquérito sobre um suposto esquema para fraudar o reconhecimento da cidadania italiana por direito de sangue e facilitar a obtenção do passaporte por parte de sul-americanos, especialmente argentinos.
Oito pessoas foram notificadas com o aviso de conclusão das investigações, entre elas o prefeito de Anghiari, Alessandro Polcri, o responsável pela polícia municipal, agentes de fiscalização de residência, funcionários do cartório e um cidadão argentino apontado como organizador do esquema.
Segundo a acusação, este último cobrava entre 5 mil e 6 mil euros (de R$ 29,5 mil a R$ 35,4 mil) por pessoa para agilizar o processo na prefeitura e para providenciar a moradia temporária necessária para comprovar a residência fictícia na cidade.
As investigações tiveram início em 2022, após a Polícia de Estado registrar um fluxo anômalo de cidadãos argentinos em Anghiari, que tem 5,3 mil habitantes.
Os investigadores apuraram indícios de falsidade ideológica e material em 23 processos de cidadania. Segundo a reconstituição, os solicitantes permaneciam no município apenas o tempo necessário para obter os documentos e depois retornavam ao exterior.
O Ministério Público sustenta que o município de Anghiari teria emitido mais de 200 cidadanias no período, com prazos de tramitação considerados anormalmente rápidos em comparação com outras cidades italianas. O prefeito Alessandro Polcri é investigado por ter assinado os atos de concessão da cidadania.
Ao longo dos últimos anos, a polícia e o Ministério Público desmantelaram diversas quadrilhas que praticavam corrupção e fraudes nos processos de reconhecimento de cidadania italiana jus sanguinis, especialmente envolvendo brasileiros.
Esse foi um dos motivos que levaram o governo da premiê Giorgia Meloni a aprovar uma medida restringindo o acesso de ítalo-descendentes à cidadania por direito de sangue, agora reconhecida apenas para quem tem um dos pais ou um dos avós nascido na Itália.