Entenda por que terremotos na Venezuela foram tão destrutivos

Baixa profundidade contribuiu para potencializar devastação

25 jun 2026 - 14h06
(atualizado às 14h59)

O duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho foi provocado pela movimentação das placas tectônicas Sul-Americana e do Caribe, que ativou um complexo sistema de falhas geológicas na região.

Venezuelanos saqueiam loja atingida por terremoto em Catia La Mar
Venezuelanos saqueiam loja atingida por terremoto em Catia La Mar
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Os abalos, de magnitude 7.2 e 7.5 na escala Richter, ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo e a 13 quilômetros de distância um do outro, em uma dinâmica que lembra os violentos tremores de 2023 na Síria e na Turquia, atingidas por sismos de 8.0 e 7.5 em um intervalo de poucas horas.

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O efeito devastador foi amplificado pela pouca profundidade dos sismos - apenas 3 quilômetros -, o que intensificou o deslocamento do solo. "Os dois abalos ocorreram de forma muito próxima e a uma profundidade muito reduzida, uma combinação que pode facilmente determinar um grande impacto em edifícios e infraestruturas", explicou Salvatore Stramondo, diretor do Departamento de Terremotos do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) da Itália.

No entanto o especialista ressalta que há uma margem de erro nos dados devido às carências da rede sísmica da Venezuela, que não é densa em estações de monitoramento.

As informações coletadas serão combinadas com informações de outras estações para reconstruir detalhadamente as características das falhas e a dinâmica do evento, ocorrido "em uma região complexa situada na margem entre duas placas que têm movimento transcorrente, ou seja, um deslizamento horizontal entre si, articulado em várias falhas".

Eventos como este não são novidade na Venezuela, que já registrou fortes terremotos em sua história, como o de magnitude 7.7 que atingiu Caracas em 29 de outubro de 1900. Mas Stramondo descartou qualquer ligação entre o duplo terremoto no país latino e o abalo de magnitude 7.0 registrado 25 minutos depois no Japão.

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"São eventos completamente diferentes, que não têm nenhuma conexão. Os dois fenômenos são absolutamente independentes", disse.

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