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Míssil de Israel atinge Irã, dizem autoridades dos EUA

A Agência Internacional de Energia Atômica afirmou que nenhuma instalação nuclear foi danificada. Voos comerciais foram suspensos em algumas cidades do país.

19 abr 2024 - 00h34
(atualizado às 07h28)
míssil
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Foto: GETTY IMAGES / BBC News Brasil

Um míssil israelense atingiu o Irã na manhã desta sexta-feira (19/4), noite de quinta-feira no Brasil, segundo duas autoridades norte-americanas ouvidas pela rede de televisão CBS News, parceira da BBC nos Estados Unidos.

Explosões foram ouvidas na cidade de Isfahan, embora não esteja claro qual foi o alvo. A província abriga uma grande base aérea, um importante complexo de produção de mísseis e várias instalações nucleares.

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A imprensa iraniana não noticiou nenhum impacto direto do ataque israelense desta sexta-feira, e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que nenhuma instalação nuclear foi danificada. Não houve nenhum comentário oficial por parte de Israel até agora.

Uma autoridade iraniana disse à agência de notícias Reuters que "o Irã não tem planos de retaliação imediata contra Israel".

O Irã está em alerta máximo desde que Israel afirmou que responderia ao ataque aéreo iraniano realizado na noite do último sábado ao seu território.

Na ocasião, o Irã disparou mais de 300 drones e mísseis em seu primeiro ataque direto a Israel, expondo ao mundo uma guerra travada há anos nas sombras entre os dois países.

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A agência de notícias Fars, que é ligada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), disse que as explosões desta sexta-feira foram ouvidas perto do Aeroporto Internacional de Isfahan e de uma base militar na cidade, acionando os sistemas de defesa aérea da região.

Um vídeo de Isfahan publicado na conta do Instagram da BBC Persian, serviço de notícias em persa (farsi) da BBC, mostra flashes alaranjados no céu, e o som do que parecem ser rajadas de artilharia antiaérea.

Voos comerciais foram suspensos em várias cidades do país, incluindo Isfahan, Shirax e a capitalTeerã, informou a imprensa estatal iraniana.

As companhias aéreas Emirates e Fly Dubai, baseadas no Oriente Médio, começaram a desviar os seus voos sobre o oeste do Irã, de acordo com sites que monitoram o tráfego aéreo.

Há relatos de explosões ouvidas na cidade iraniana de Isfahan (foto de arquivo)
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A ofensiva desta sexta-feira aconteceu seis dias depois de o Irã ter lançado seu ataque sem precedentes contra Israel.

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Teerã classifica a ação como uma retaliação - o Irã havia prometido uma resposta depois de um ataque contra sua representação diplomática em Damasco, na Síria, no início deste mês. O Irã culpa Israel, embora o país não tenha assumido a autoria.

Na ocasião do ataque iraniano, quase todos os drones e mísseis foram interceptados pelas defesas aéreas israelenses com o apoio dos EUA, Reino Unido e outros aliados, informaram os militares israelenses na ocasião.

Vários mísseis atingiram uma base aérea no deserto de Negev. Uma menina beduína, que ficou gravemente ferida por estilhaços, teria sido a única pessoa ferida.

Nos últimos dias, os líderes iranianos haviam alertado que qualquer ataque israelense ao Irã desencadearia uma resposta rápida. Horas depois do ataque desta sexta-feira, no entanto, uma autoridade iraniana disse à agência de notícias Reuters que "o Irã não tem planos de retaliação imediata contra Israel".

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Enquanto isso, houve tentativas da comunidade internacional de apaziguar a crise, por meio de apelos para que seja contida.

Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que houve uma "escalada perigosa" entre Israel e o Irã.

"Um erro de cálculo, uma falha de comunicação, um erro, poderia levar ao impensável — um conflito regional em grande escala que seria devastador para todos os envolvidos", afirmou ele ao Conselho de Segurança da ONU.

O ataque israelense ocorre em um momento em que as tensões continuam elevadas em todo o Oriente Médio, após seis meses de guerra em Gaza.

Preço do petróleo dispara

Os preços do petróleo e do ouro dispararam e as ações caíram depois da confirmação do ataque de Israel nesta sexta-feira.

Nas negociações na Ásia, o petróleo do tipo Brent subiu mais de 3%, para cerca de US$ 90 o barril (cerca de R$ 470), enquanto o ouro foi negociado perto de um novo recorde acima de US$ 2.400 a onça (R$ 12,5 mil).

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Os índices de ações de referência no Japão, Hong Kong e Coreia do Sul também caíram.

Os investidores têm monitorado de perto a tensão no Oriente Médio.

Ataque a consulado

O ataque ao consulado do Irã em Damasco matou altos comandantes do país
Foto: REUTERS / BBC News Brasil

O ataque aéreo de Israel ao consulado iraniano em Damasco, capital da Síria, em 1º de abril, deixou 13 mortos. O governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não assumiu a autoria do atentado, mas acredita-se que esteja por trás dele.

Entre os mortos no ataque, estava o general Mohammad Reza Zahedi - um alto comandante das Forças Quds, o braço de relações exteriores da Guarda Revolucionária Islâmica.

Ele foi uma figura essencial na operação iraniana para armar o grupo libanês Hezbollah.

O ataque ao consulado seguiu um padrão de ataque aéreo contra alvos iranianos amplamente atribuído a Israel. Vários altos comandantes do IRGC foram mortos em ataques aéreos na Síria nos últimos meses.

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O IRGC envia armas e equipamentos, incluindo mísseis de alta precisão, pela Síria para o Hezbollah. Israel está tentando impedir estas remessas, assim como que o Irã reforce sua presença militar na Síria.

Por que Israel e Irã são inimigos?

Os dois países foram aliados até a Revolução Islâmica de 1979 no Irã, que deu origem a um regime que utilizou a oposição a Israel como parte fundamental da sua ideologia.

O Irã não reconhece o direito de existência de Israel e quer sua erradicação.

O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, já havia chamado Israel de "tumor cancerígeno" que "sem dúvida vai ser extirpado e destruído".

Israel acredita que o Irã representa uma ameaça à sua existência, como evidenciado pela retórica de Teerã e pela formação de forças que agem "por procuração" e juraram destruir Israel.

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Também estão nesta lista o financiamento e armamento de grupos palestinos pelo Irã, incluindo o Hamas e o grupo xiita libanês Hezbollah.

E o que Israel acredita ser uma busca secreta do Irã por armas nucleares, embora o Irã negue que esteja tentando construir uma bomba nuclear.

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