Propostas democratas progressistas, incluindo o "Medicare para todos" e novos impostos sobre bilionários, têm impulsionado candidatos insurgentes, como Abdul El-Sayed, a vitórias nas primárias deste ano, abalando a cúpula do partido e levando-a a se preocupar com o desempenho dos democratas nas eleições de meio de mandato de novembro.
Mas uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta semana constatou que essas ideias — embora de forma alguma representem toda a agenda progressista — contam com o apoio de eleitores independentes, que podem ser decisivos para determinar se o Partido Republicano do presidente Donald Trump manterá sua maioria no Congresso nos próximos dois anos.
Cerca de 64% dos eleitores independentes registrados disseram na pesquisa nacional de seis dias apoiar o aumento de impostos sobre empresas e bilionários, em comparação com 15% que se opõem à ideia.
E 60% dos independentes afirmaram apoiar a cobertura de saúde fornecida pelo governo para todos os norte-americanos, o que os progressistas — incluindo El-Sayed, candidato ao Senado dos EUA por Michigan — têm defendido como "Medicare para todos" — a expansão do programa de seguro de saúde administrado pelo governo para cobrir todos os norte-americanos.
Os resultados sugerem um caminho a seguir para candidatos como El-Sayed, que enfrentará o republicano Mike Rogers no que se espera ser uma disputa altamente acirrada, que terá um papel fundamental na decisão pelo controle do Senado. Michigan, onde Trump venceu em duas das últimas três eleições presidenciais, representa um desafio mais acirrado para El-Sayed do que aqueles enfrentados por alguns outros progressistas de destaque que venceram as primárias em áreas fortemente democratas.
Os republicanos, liderados por Trump, aproveitam-se da ascensão do movimento socialista democrático, tentando retratar todos os democratas como extremistas e, às vezes, rotulando-os incorretamente de comunistas. Eles também têm procurado associar os democratas às visões mais radicais de alguns adeptos do movimento; quando a copresidente nacional dos Socialistas Democráticos da América (DSA), Megan Romer, defendeu na Fox News, no mês passado, a abolição do Senado dos EUA, a eliminação das fronteiras e o corte de verbas para o Pentágono, os líderes republicanos se apressaram em divulgar amplamente a declaração.
Embora El-Sayed não seja membro da DSA, ele conta com o apoio de democratas afiliados ao movimento, incluindo o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez e o senador Bernie Sanders. As campanhas presidenciais de Sanders em 2016 e 2020 ajudaram a trazer para o centro do debate políticas progressistas como o Medicare para todos e impostos mais altos para os ricos.
"O rótulo o prejudica muito mais do que as questões em si", disse John Feehery, estrategista republicano, sobre El-Sayed. "Os republicanos vão chamá-lo de socialista, e ele tem o apoio de Bernie Sanders e da AOC... El-Sayed é muito empolgante para a esquerda, mas assusta o centro."
Apesar de apoiarem políticas progressistas específicas, os independentes têm uma visão negativa dos socialistas democráticos, embora a maioria afirme não entender muito bem o termo. Quarenta e três por cento dos independentes disseram que estariam menos propensos a votar em um candidato que se identifique como socialista democrático, em comparação com 22% que afirmaram estar mais propensos. O restante não tinha certeza ou não respondeu à pergunta.
Mas os republicanos enfrentam problemas semelhantes — e talvez ainda mais graves. Cerca de 59% dos eleitores independentes afirmaram que estariam menos propensos a votar em um candidato que se identifique com o movimento "Make America Great Again" (Maga) de Trump.
A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online de 29 de julho a 3 de agosto, coletou respostas de 4.505 adultos norte-americanos, incluindo 1.097 independentes registrados para votar. Os resultados tiveram uma margem de erro de 3 pontos percentuais para as opiniões dos eleitores independentes.