Meloni nega renúncia, desafia oposição e promete governar 'até último dia'

Premiê também refutou possibilidade de reforma ministerial após referendo

9 abr 2026 - 08h07
(atualizado às 08h49)

A premiê da Itália, Giorgia Meloni, reiterou nesta quinta-feira (9) que não renunciará ao cargo nem fará reformas ministeriais por conta da derrota no referendo sobre uma reforma judicial proposta pelo governo no fim de março.

Giorgia Meloni em audiência no Parlamento da Itália
Giorgia Meloni em audiência no Parlamento da Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A iniciativa propunha a separação das carreiras de juízes e promotores e a criação de um tribunal disciplinar para a magistratura e foi rejeitada nas urnas pelo placar de 53,75% a 46,25%, maior revés para a primeira-ministra desde que ela assumiu o poder, em outubro de 2022.

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"Ainda se fala de uma iminente renúncia do governo, de reformas ministeriais, de um novo começo. Mas é algo a anos-luz de distância, no qual não temos qualquer intenção de mergulhar a Itália", declarou Meloni em uma audiência na Câmara dos Deputados, em Roma.

Segundo ela, o Executivo cumprirá seu mandato de cinco anos "até o último dia", em 2027, tornando-se o mais longevo da história italiana.

"Não há necessidade de recomeçar, visto que o governo nunca parou e tem trabalhado há dias, como vimos, para evitar as consequências da crise internacional e implementar medidas adicionais. Não há intenção de fazer uma reforma ministerial porque, apesar de todas as nossas limitações, este continua sendo o governo que restituiu à Itália a estabilidade política, a credibilidade internacional e a seriedade na gestão de recursos", acrescentou.

O resultado do referendo provocou um terremoto político no país e já custou os cargos de três expoentes do governo: a ministra do Turismo, Daniela Santanchè, o subsecretário do Ministério da Justiça, Andrea Delmastro, e a chefe de gabinete da pasta, Giusi Bartolozzi. Mas, segundo Meloni, a coalizão continua "sólida e coesa".

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Além disso, ela desafiou a oposição a mostrar que pode ser uma "alternativa de governo", declaração rebatida por lideranças de centro-esquerda.

"Você nos desafia, mas já perdeu porque tinha desafiado a Constituição, e o povo soberano te derrotou nas urnas. Dá para ver que você quer muito voltar à oposição, então vamos deixar você feliz", disse a secretária do Partido Democrático (PD), Elly Schlein.

Já o ex-premiê e presidente do Movimento 5 Estrelas (M5S), Giuseppe Conte, garantiu estar pronto para enfrentar o governo com um programa "progressista". "Vamos mandar você para casa", prometeu.

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