Dois terços dos candidatos republicanos em disputas acirradas ao Congresso dos EUA têm se distanciado de Donald Trump, aponta análise da Reuters. A estratégia visa conquistar eleitores independentes diante da impopularidade do ex-presidente, cuja aprovação caiu para 32%. Candidatos têm divergido em pautas específicas, como os conflitos com o Irã, e omitido o apoio de Trump em campanhas, buscando equilibrar a atração de votos moderados sem provocar uma ruptura total com a base partidária.
Dois terços dos candidatos republicanos em disputas acirradas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado dos EUA romperam com o presidente Donald Trump em questões políticas ou minimizaram seus laços com ele, segundo uma análise da Reuters, revelando um esforço generalizado para se distanciarem do presidente, à medida que sua impopularidade ameaça o domínio do partido no Congresso.
A análise de registros de votação, declarações públicas e materiais de campanha constatou que candidatos em 41 das 62 disputas acirradas para o Congresso buscam se distanciar de Trump antes das eleições de meio de mandado em 3 de novembro.
Os candidatos têm, em grande parte, criticado ou divergido de Trump em questões específicas, em vez de repudiar sua agenda mais ampla. As conclusões sugerem um esforço para atrair eleitores independentes, evitando ao mesmo tempo um rompimento direto com o líder do partido.
As diferenças políticas foram o ponto de divergência mais comum, aparecendo em 23 das 62 disputas.
Em 12 disputas, a divergência centrou-se no conflito com o Irã, com republicanos em situação vulnerável votando para restringir os poderes de guerra de Trump ou pedindo publicamente o fim dos combates que elevaram os preços da gasolina e pressionaram o orçamento das famílias.
Os centros de dados estão entre as questões que dividem Trump e alguns candidatos republicanos. A Reuters identificou três candidatos em disputas acirradas que criticaram ou tentaram retardar tais projetos, apesar do apoio do presidente a um desenvolvimento mais rápido.
A mudança é notável porque Trump passou a última década remodelando o Partido Republicano à sua própria imagem e tem sido rápido em punir parlamentares e candidatos que o desafiaram por meio de disputas nas primárias, ataques pessoais ou pressão pública para que se alinhassem.
Em resposta a perguntas sobre as conclusões da Reuters, o porta-voz da Casa Branca Davis Ingle destacou as conquistas do governo e disse que Trump é "o líder inequívoco, o melhor porta-voz e o motivador inigualável" do partido.
Embora os veículos de comunicação tenham destacado casos isolados de distanciamento, a análise da Reuters é a primeira a medir sistematicamente a tendência em disputas acirradas que decidirão se os republicanos manterão o controle de uma ou ambas as casas do Congresso.
Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos ressaltou o desafio enfrentado pelos republicanos: o índice de aprovação de Trump permaneceu estagnado em 32%, o menor de sua carreira, enquanto os eleitores registrados preferiam os democratas aos republicanos por 44% a 37% antes das eleições de meio de mandato. Entre os independentes, os democratas lideravam por 37% a 21%.
DISTANCIANDO-SE DE TRUMP
A Reuters também constatou um amplo esforço para minimizar os laços: uma dúzia de candidatos removeu o nome, a imagem ou os apoios de Trump dos sites de campanha, a maioria depois de garantir a indicação do partido.
Outros agiram de maneira mais sutil, evitando seus eventos ou se recusando a dizer se ele deveria fazer campanha em seu nome.
Críticas diretas foram relativamente raras, o que ressalta o domínio de Trump sobre o Partido Republicano e os riscos que os candidatos enfrentam ao desafiar abertamente um presidente que ainda conta com a lealdade de muitos apoiadores fervorosos.
Não é incomum que candidatos se distanciem de um presidente impopular antes de uma eleição. Os democratas empregaram táticas semelhantes nas eleições de 2014 e 2022.
Embora a Reuters não tenha realizado uma análise comparável das disputas acirradas nas eleições de 2018, durante o primeiro mandato de Trump, analistas afirmaram que Trump raramente enfrentou uma resistência tão generalizada por parte de candidatos republicanos em situação vulnerável.
"(Os candidatos) estão refletindo as atitudes dos eleitores nessas disputas", disse o estrategista republicano Ron Bonjean. "Se (os eleitores) não estão com Trump, então eles precisam mostrar que se distanciam dele."
Em particular, assessores de campanha disseram à Reuters que os candidatos precisavam diminuir os laços com Trump para atrair eleitores independentes. Publicamente, eles rejeitaram as críticas ao reposicionamento.
JOGO DE EQUILÍBRIO
O senador republicano Pete Ricketts, que enfrenta um forte desafio do independente Dan Osborn em Nebraska, é um exemplo dos 11 candidatos identificados pela Reuters que romperam com Trump em uma questão política, ao mesmo tempo em que o apoiam no restante.
Esse equilíbrio ficou evidente nesta semana quando Ricketts, que criticou o plano de Trump de ampliar as importações de carne bovina, se juntou ao presidente em um comício no Nebraska.
"Presidente Trump, tenho lutado por você em Washington", disse Ricketts à multidão.
Mariannette Miller-Meeks, republicana em uma das disputas mais acirradas pela Câmara dos Deputados no Estado de Iowa, também tem demonstrado uma disposição crescente de romper com o governo. Ela estava entre os 12 candidatos identificados pela Reuters que se distanciaram de Trump em várias questões, criticando sua política de importação de carne bovina e, posteriormente, votando a favor da limitação de seus poderes de guerra no Irã, após ter se oposto anteriormente a medidas semelhantes.
No entanto, menos de duas semanas após sua votação sobre os poderes de guerra, Miller-Meeks se juntou a Trump na Casa Branca para anunciar um grande investimento em uma usina siderúrgica em Iowa.
"É um jogo de equilíbrio", disse a consultora republicana Jeanette Hoffman, acrescentando que os candidatos estão tentando capitalizar os sucessos do governo ao mesmo tempo em que criam alguma distância de Trump devido ao "quão tóxica a marca Trump está no momento".