Macron rebate falas de Meloni sobre ativista assassinado

'Se cada um permanecer em sua casa, as ovelhas ficarão bem cuidadas', disse

19 fev 2026 - 11h16
(atualizado às 12h33)

O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou a premiê da Itália, Giorgia Meloni, por seus comentários sobre o assassinato do ativista de extrema direita Quentin Deranque, espancado por um grupo de indivíduos mascarados na semana passada.

Giorgia Meloni e Emmanuel Macron durante encontro em novembro de 2025
Giorgia Meloni e Emmanuel Macron durante encontro em novembro de 2025
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Fico sempre surpreso ao observar que as pessoas nacionalistas, que não querem ser perturbadas na casa delas, são sempre as primeiras a comentar o que acontece na casa dos outros", disse o mandatário francês durante uma conversa com jornalistas à margem de uma cúpula sobre inteligência artificial na Índia.

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"Se cada um permanecer em sua casa, as ovelhas ficarão bem cuidadas", ironizou Macron. Em resposta, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que o homicídio de Deranque "não tem fronteiras" e serve de "alerta a quem usa ódio e violência e professa uma linguagem ofensiva".

"Houve muitos Quentins na Itália, alguns nos períodos mais escuros da República, então condenar episódios como o de Lyon serve para fazer com que não se volte a um passado sombrio também na Itália, porque a política é sobretudo diálogo e debate", escreveu Tajani no X.

Enquanto isso, fontes do governo italiano disseram ter recebido com "estupor" as declarações de Macron, uma vez que as falas de Meloni representam um "sinal de solidariedade ao povo francês e não entram de nenhuma maneira em assuntos internos da França".

Na última quarta (18), a premiê italiana expressou "profunda dor" pela morte de Deranque, vítima de "grupos ligados ao extremismo de esquerda e atingido por um clima de ódio ideológico que atravessa diversas nações". Além disso, definiu o homicídio como "uma ferida para toda a Europa".

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"Nenhuma ideia política ou contraposição ideológica pode justificar a violência ou transformar o debate em agressão física. Quando o ódio e a violência tomam o lugar do diálogo, quem perde é sempre a democracia", acrescentou Meloni.

Deranque era filiado ao grupo de extrema direita Némésis, que ganhou notabilidade na França por defender bandeiras anti-imigração, e foi espancado por um grupo de encapuzados na última quinta (12), à margem de um evento de uma eurodeputada de esquerda em uma universidade de Lyon.

O ativista chegou a ser socorrido, mas acabou falecendo no hospital dois dias depois, em decorrência de graves lesões na cabeça. Até o momento, 11 pessoas foram detidas por suspeita de envolvimento no crime. 

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