Após fortalecer vínculos com China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia e Vietnã nos últimos três anos, Lula visitou a Coreia do Sul, encerrando um hiato de mais de duas décadas sem visitas de Estado de um mandatário brasileiro ao país.
Em discurso de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul, o presidente Lula defendeu o multilateralismo e criticou indiretamente as tarifas protecionistas de Donald Trump.
"Quanto mais livre o comércio, melhor será para a Coreia e melhor será para o Brasil e melhor será para o mundo. O que nós estamos precisando é fazer com que as economias cresçam, gerar oportunidade de trabalho para poder gerar, melhorar a qualidade de vida das pessoas que nós representamos. Não existe outro jeito de fazer as coisas acontecerem se não tiver desenvolvimento nos países", afirmou Lula.
Antes disso, em reunião bilateral, os dois países elevaram seu relacionamento ao patamar de Parceria Estratégica e lançaram um Plano de Ação com iniciativas concretas para os próximos três anos.
Entre os acordos assinados, destaca-se o Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva, que visa facilitar o comércio bilateral e promover a harmonização regulatória, além da decisão mútua de retomar as negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Coreia do Sul.
"Sobre as negociações de livre comércio entre o Brasil e a República da Coreia, discutimos caminhos para retomar as negociações interrompidas em 2021", afirmou Lula em uma entrevista coletiva.
Lee afirmou que os dois concordaram que os benefícios da cooperação econômica "devem ser ampliados" aos seus países vizinhos. "O Brasil é um membro-chave do Mercosul. Reiterei a necessidade de retomar as negociações para um acordo de livre comércio entre a Coreia e o Mercosul, e o presidente Lula concordou", declarou Lee.
"O Brasil é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina e, com US$ 11 bilhões, a Coreia é o nosso quarto parceiro comercial na Ásia", afirmou Lula.
Antes da reunião, o presidente sul-coreano afirmou que ele e Lula conseguiram chegar ao topo após infâncias difíceis.
Lee trabalhou em uma oficina têxtil para sustentar a família, enquanto Lula precisou abandonar a escola para trabalhar e ajudar a família.
Avanços para o SUS
No setor de saúde, os acordos abrangem a produção de medicamentos, vacinas e pesquisas em genômica avançada, incluindo a busca por melhores práticas em "hospitais inteligentes" para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Um ponto de destaque na agenda comercial foi a assinatura de um memorando para fortalecer a cooperação regulatória no setor de saúde, o que deve facilitar o acesso dos consumidores brasileiros aos produtos de "K-beauty" (cosméticos coreanos).
A cooperação estendeu-se também à área de ciência e tecnologia, com foco em semicondutores, inteligência artificial, biotecnologia e aeroespacial, bem como para a agricultura, em projetos de adaptação climática e segurança alimentar.
Por fim, foram celebrados acordos voltados ao combate ao crime organizado transnacional e parcerias financeiras em agendas de interesse comum, consolidando a Coreia do Sul como o 4º maior parceiro comercial do Brasil na Ásia.
Lula chegou à Coreia do Sul proveniente da Índia e também visitará os Emirados Árabes Unidos.