Londres anuncia primeira apreensão de navio da frota fantasma russa usado para burlar sanções

As forças britânicas interceptaram neste domingo (14), no Canal da Mancha, um petroleiro apontado como integrante da chamada "frota fantasma" da Rússia. A operação foi realizada em estreita cooperação com a França, informou o ministério da Defesa do Reino Unido.

14 jun 2026 - 10h29

Segundo o governo britânico, o navio Smyrtos foi abordado por comandos dos Royal Marines e agentes especializados da Agência Nacional de Combate ao Crime, na primeira operação desse tipo liderada pelo Reino Unido. Londres afirma que a embarcação fazia parte da rede utilizada por Moscou para contornar sanções internacionais e continuar financiando a guerra na Ucrânia.

A operação começou nas primeiras horas da manhã e durou cerca de seis horas. Ela contou com apoio aéreo, incluindo helicópteros Chinook, e de embarcações da Marinha britânica, entre elas a fragata HMS Sutherland.

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O petroleiro será transferido para uma área de ancoragem na costa sul da Inglaterra, onde permanecerá sob vigilância das autoridades.

O ministro da Defesa britânico, Dan Jarvis, afirmou que a Rússia depende da chamada frota fantasma para financiar o conflito na Ucrânia e que a interceptação representa um golpe contra a capacidade de Moscou de sustentar a guerra. Segundo ele, a ação foi conduzida em estreita coordenação com as autoridades francesas.

Jarvis acrescentou que operações desse tipo, realizadas em parceria com aliados internacionais, atingem diretamente os recursos que alimentam a ofensiva russa e reduzem a capacidade de Moscou de ameaçar a segurança europeia e internacional.

Navios usados para contornar sanções

Desde a invasão da Ucrânia, em 2022, o Reino Unido impôs sanções a centenas de embarcações suspeitas de integrar a frota fantasma russa. Em geral, trata-se de petroleiros antigos, com estruturas de propriedade pouco transparentes, utilizados para driblar embargos ocidentais. Esses navios estão proibidos de acessar portos e serviços britânicos.

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O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que a operação representa "um novo golpe contra a Rússia" e serve de aviso àqueles que ajudam a financiar a guerra do presidente Vladimir Putin.

Em março, o governo britânico autorizou suas forças de segurança a abordar e apreender embarcações da frota fantasma que transitassem por águas sob jurisdição do Reino Unido.

A operação ocorre após os Estados Unidos flexibilizarem algumas restrições ao petróleo russo, numa tentativa de conter a alta dos preços da energia provocada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Nos últimos meses, França, Bélgica, Finlândia e outros países europeus também apreenderam embarcações suspeitas de integrar a frota fantasma russa.

Ofensiva híbrida

Além de burlar sanções, esses navios são suspeitos de terem provocado danos a cabos submarinos no mar Báltico. O governo britânico anunciou que pretende apresentar uma nova legislação para proteger infraestruturas críticas de comunicação submarina contra possíveis atos de sabotagem por parte da Rússia e de outros países considerados hostis.

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Desde 2023, uma série de incidentes no mar Báltico resultou em danos a cabos submarinos de telecomunicações e linhas de transmissão de energia. Especialistas militares e líderes europeus afirmam que Moscou intensificou uma estratégia de "guerra híbrida" na região, que hoje é cercada quase integralmente por países membros da Otan.

Em abril, o então ministro da Defesa John Healey afirmou que as Forças Armadas britânicas monitoraram e afastaram três submarinos russos que operavam no Atlântico Norte, próximos a cabos de comunicação e oleodutos submarinos considerados estratégicos.

Atualmente, cerca de 64 grandes cabos submarinos de telecomunicações conectam o Reino Unido ao restante do mundo.

com AFP

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