Enviado israelense e funcionária da ONU batem boca em audiência sobre crianças em situações de conflito

19 jun 2026 - 20h16

As convenções diplomáticas foram deixadas ‌de lado na Organização das Nações Unidas nesta sexta-feira, quando o embaixador de Israel e a representante especial do secretário-geral da ONU para crianças e conflitos armados se envolveram em uma acalorada discussão durante uma audiência ⁠pública.

Em uma reunião em Nova York para marcar ‌o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Sexual em Conflitos, o enviado israelense, Danny Danon, exigiu a ‌renúncia de Pramila Patten -- autora de ‌relatório que, pela primeira vez, colocou Israel ⁠na lista de responsáveis por supostos abusos do tipo --, acusando-a de parcialidade.

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"Você cedeu à obsessão do secretário-geral em atacar Israel", disse Danon, referindo-se ao chefe da ONU, António Guterres.

Outra funcionária da ONU, Vanessa Frazier, representante de ‌Guterres para crianças e conflitos armados e autora de ‌um relatório separado ⁠que também ⁠insere Israel na lista, interrompeu, gritando uma questão de ordem. Ela ⁠exigiu que Danon se ‌abstivesse de "ataques pessoais" ‌e acrescentou que tinha "evidências comprovadas".

Danon disse que Frazier deveria ficar calada.

"Somos um Estado-membro, e você trabalha para a ONU, e vai ficar calada agora. Você ⁠vai ficar calada... você e seu relatório vergonhoso", disse ele.

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Frazier, ex-embaixadora de Malta na ONU, divulgou seu relatório nesta semana em nome de Guterres, alertando que grupos de colonos israelenses ‌poderiam ser incluídos em uma lista global por violações contra crianças, enquanto o chefe da ONU expressava ⁠preocupação com o que chamou de um aumento "impressionante" das violações contra crianças palestinas.

Israel já figura nos anexos da chamada "lista da vergonha" desse relatório por supostas violações.

Quando o relatório de Patten foi divulgado no mês passado, Danon o chamou de "um novo ponto baixo" e o Ministério das Relações Exteriores de Israel prometeu romper todos os laços com Guterres, que deixa o cargo no final do ano, após 10 anos no posto.

Os dois relatórios também colocam na lista o Hamas, arqui-inimigo de Israel.

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