Diversos líderes ao redor do mundo, incluindo autoridades de Israel, criticaram nesta quarta-feira (20) o ministro da Segurança Nacional de Tel Aviv, Itamar Ben-Gvir, pela divulgação de um vídeo que mostra ativistas de uma flotilha interceptada sendo humilhados no porto de Ashdod.
O político, líder do partido ultranacionalista Otzma Yehudit, visitou o local onde integrantes da embarcação foram mantidos sob custódia após a interceptação realizada pela Marinha israelense. Em seguida, publicou nas redes sociais imagens zombando dos detidos, acompanhadas da frase: "É assim que recebemos apoiadores do terrorismo".
No vídeo, Ben-Gvir aparece caminhando entre os ativistas, enquanto alguns deles são vistos algemados, vendados e ajoelhados sob vigilância de agentes de segurança. Durante a gravação, o ministro faz declarações provocativas direcionadas ao grupo.
As imagens provocaram reações negativas até mesmo dentro do governo israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel "tem todo o direito de impedir que flotilhas provocativas de apoiadores do Hamas entrem em suas águas territoriais", mas avaliou que "o tratamento dado pelo ministro Ben-Gvir aos ativistas não está de acordo com os valores e normas israelenses".
Já o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, declarou que Ben-Gvir "não é a cara de Israel" e acusou o colega de causar danos à imagem do país.
"Com essa atuação vergonhosa, você causou danos ao país conscientemente, e esta não é a primeira vez. Você minou os enormes esforços profissionais e bem-sucedidos de tantas pessoas, desde soldados das Forças de Defesa de Israel até funcionários do Ministério das Relações Exteriores e muitos outros", escreveu o chanceler.
A Itália também reagiu duramente ao episódio. O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, classificou a atitude como "inaceitável" e afirmou que "a linha vermelha foi cruzada". Já o presidente italiano, Sergio Mattarella, criticou o tratamento dado aos ativistas.
"Este foi um tratamento incivilizado infligido a pessoas detidas ilegalmente em águas internacionais, atingindo o nível mais baixo, por um ministro do governo israelense", declarou Mattarella.
A líder da oposição italiana, Elly Schlein, afirmou que as imagens representam "crimes contra a dignidade humana", acusando Israel de submeter ativistas e palestinos a "condições violentas e desumanas".
Em outras partes do mundo, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou as cenas como "inaceitáveis" e convocou o embaixador israelense no país. Holanda, Espanha, Itália, Canadá e Bélgica adotaram medidas semelhantes.
A comissária europeia para Gestão de Emergências, Hadja Lahbib, declarou que "o ativismo pacífico e a liberdade de reunião são direitos fundamentais" e criticou a forma como os integrantes da flotilha foram tratados.
Já o chanceler espanhol, José Manuel Albares, descreveu as imagens como "monstruosas, indignas e desumanas". O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmou que Ben-Gvir "traiu a dignidade da sua nação" com "atos desprezíveis". .